Pará está entre estados com mais processos por poluição, aponta relatório

Levantamento do Escavador mostra avanço de denúncias ambientais no Brasil e coloca o Pará entre os estados da Amazônia Legal com maior volume de ações judiciais.

Redação
Resíduos descartados irregularmente em área próxima a curso d’água ilustram o avanço das denúncias por poluição e degradação ambiental apontadas em levantamento do Escavador - Foto: Magnific/Divulgação.

O Pará aparece entre os estados brasileiros com maior volume de processos relacionados à poluição ambiental, segundo levantamento divulgado pela plataforma jurídica Escavador. Os dados reforçam o aumento da judicialização de crimes ambientais no país e acendem um alerta sobre a pressão crescente enfrentada pela Amazônia Legal.

De acordo com o relatório, o Brasil registrou um crescimento de 66% nos processos por poluição entre 2024 e 2025. O número saltou de 10,9 mil ações para mais de 18 mil registros no período. Entre 2023 e 2026, já são mais de 41 mil denúncias envolvendo diferentes tipos de degradação ambiental.

No ranking nacional, o Pará acumula 1,9 mil processos ligados à poluição, figurando entre os estados da Amazônia Legal com maior volume de ações. O levantamento também destaca estados como Roraima, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia, regiões diretamente impactadas pelo avanço da mineração, expansão agropecuária e exploração irregular de recursos naturais.

Além da poluição, o relatório aponta crescimento de crimes contra a flora e a fauna brasileira. No Pará, foram contabilizados quase 3 mil processos relacionados à flora e mais de 1,1 mil ações envolvendo crimes contra a fauna entre 2023 e 2026.

A análise inclui denúncias ligadas a desmatamento, queimadas, mineração ilegal, tráfico de animais silvestres, degradação de rios, descarte irregular de resíduos e contaminação ambiental.

Para a coordenadora jurídica do Escavador, Dalila Pinheiro, os dados mostram um contraste entre os avanços do debate climático e a realidade enfrentada pelos biomas brasileiros. “Os processos revelam que os desafios ambientais vão muito além da redução de gases de efeito estufa. Ainda há dificuldades no cumprimento das regras ambientais, principalmente em regiões pressionadas pela exploração econômica”, destaca.

O levantamento também mostra que os crimes ambientais seguem associados ao avanço de atividades ilegais e à pressão sobre áreas de preservação. Entre os principais registros aparecem queimadas, exploração clandestina de madeira, poluição hídrica e impactos sobre a fauna aquática.

Mesmo diante do crescimento das discussões sobre sustentabilidade e mercado de carbono, especialistas apontam que a judicialização ambiental continua elevada, especialmente em estados amazônicos, onde a pressão sobre os recursos naturais permanece intensa.

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