Concurso de Quadrilhas Juninas Pará 2026 premia campeões

Redação
Integrantes da quadrilha Fuzuê Junino celebram o título de campeã do Concurso Estadual de 2026 em noite de arena lotada e valorização da cultura popular paraense - Pedro Guerreiro/Ag.Pará.

Uma das maiores celebrações da cultura popular paraense chegou ao fim. O Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas 2026 encerrou sua programação oficial com o desfile das campeãs e a entrega de prêmios para os grupos que se destacaram na arena. Ao todo, o evento movimentou 130 quadrilhas, divididas entre 115 adultas e 15 mirins, vindas de 37 municípios do Pará, além de reunir cerca de 80 grupos folclóricos que ocuparam os palcos do Teatro Margarida Schivasappa e do Palco Verequete.

Na categoria adulta, o título de grande campeã ficou com a quadrilha Fuzuê Junino, de Belém, que faturou o prêmio principal de R$ 20 mil. Já entre os grupos infantis, a capital paraense também levou a melhor: Os Sapequinhas da Radional conquistou o primeiro lugar na categoria mirim, garantindo a premiação de R$ 10 mil.

O certame distribuiu troféus e valores em dinheiro para as 20 melhores quadrilhas adultas e as 10 primeiras colocadas da categoria mirim. O reconhecimento individual também foi destaque, premiando com R$ 2,5 mil os melhores marcadores, estilistas e coreógrafos, além de entregar faixas e incentivo financeiro para as três primeiras colocadas nas categorias Miss Caipira, Miss Negritude, Miss Simpatia e Miss Diversidade.

Transformação social por meio dos ritmos juninos

Atrás do espetáculo visual de cores e coreografias complexas, os grupos carregam um papel comunitário que se estende ao longo de todo o ano. Alacid Neves, representante da quadrilha Fúria Junina — que alcançou o 11º lugar na categoria adulta —, destaca o esforço financeiro e social para colocar o grupo em cena:

“Foram seis meses de muito trabalho e dedicação. Não é fácil, porque os custos são altos, mas conseguimos alcançar nosso objetivo. Nosso maior compromisso é com os adolescentes. Trabalhamos para oferecer uma oportunidade por meio da cultura, ajudando a manter esses jovens longe das drogas e de outras situações de vulnerabilidade.”

O sentimento de transformação é compartilhado na categoria mirim. Soraia Azevedo, responsável pelo grupo campeão Os Sapequinhas da Radional, relembrou a trajetória da iniciativa, nascida de forma despretensiosa na comunidade há oito anos. “A quadrilha existe há oito anos e começou como uma brincadeira porque as crianças da comunidade não tinham acesso à cultura. Eu sonhava em ficar entre as dez melhores e nunca imaginei conquistar o primeiro lugar. Trabalhar com essas crianças é muito gratificante. Elas aprendem sobre amizade, companheirismo e convivência. Na arena somos concorrentes, mas fora dela todos são amigos.”

O avanço do interior do estado na disputa

Um dos pontos altos da edição de 2026 foi o crescimento técnico e a forte presença de grupos vindos de fora da região metropolitana. De acordo com a coordenadora do concurso, Elene Pinheiro, o equilíbrio na disputa mostra que a descentralização cultural é uma realidade no estado. “Es emocionante ver a evolução das quadrilhas dos municípios. Neste ano, elas conquistaram 11 das 20 vagas na final da categoria adulta. Os grupos se dedicam durante todo o ano, e a Fundação cumpre seu papel ao oferecer estrutura, organização e incentivo para fortalecer essa importante manifestação da cultura popular.”

A temporada junina atraiu uma média de 6 mil espectadores por noite, movimentando a economia criativa, o comércio de vestuário e o setor de eventos. Cláudia Pinheiro, diretora da Fundação Cultural do Pará, pontua que o balanço final servirá como base técnica para o desenho da próxima quadra junina. “O saldo é muito positivo e reflete a dedicação de toda essa comunidade cultural. Tivemos mais de 130 quadrilhas e cerca de 80 grupos folclóricos participando desta grande celebração da cultura popular. Agora iniciamos o planejamento da próxima edição, ouvindo os grupos para aperfeiçoar o regulamento e ampliar ainda mais o calendário de apresentações.”

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