Entre formas orgânicas e narrativas que nascem da floresta, o design brasileiro encontra novas maneiras de traduzir identidade e território. Em São Paulo, uma peça criada a partir da madeira amazônica ganha projeção ao integrar uma das principais vitrines do setor no país.
A Cristaleira da Linha Igarapés, assinada pelo designer Érico Gondim em parceria com a Pacajá Móveis, foi selecionada para o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira. A peça integra a exposição oficial da 36ª edição, que abre ao público no dia 25 de abril, no Complexo Cultural Oswald de Andrade.
A seleção amplia a presença do design amazônico em circuitos nacionais e internacionais, destacando projetos que conectam criação artística, identidade regional e uso sustentável de recursos naturais.
DESIGN INSPIRADO NA AMAZÔNIA
A Linha Igarapés nasce da observação da natureza e do aproveitamento da matéria-prima. Produzida a partir de troncos de carapanaúba, a cristaleira valoriza as formas naturais da madeira, com vazados e curvas que remetem ao fluxo dos rios amazônicos.
Segundo Luciana Di Paula, executiva de florestas da Fazenda Pacajá, o projeto surgiu de um alinhamento entre propósito e criação. “Foi o olhar do artista que conseguiu enxergar, nos veios da madeira, os igarapés e rios da região, traduzindo isso em design”, afirma.
A matéria-prima utilizada é oriunda de manejo florestal sustentável, prática que orienta toda a cadeia produtiva da empresa e reforça o compromisso com a preservação ambiental.
Valor estético e sustentabilidade
Para Érico Gondim, a presença no prêmio representa o reconhecimento de uma abordagem que valoriza a biodiversidade brasileira. “É um passo importante para destacar peças que pensam a brasilidade também a partir da matéria-prima e do território”, destaca.
O projeto também evidencia novas possibilidades para madeiras com menor visibilidade comercial, agregando valor estético e ampliando seu potencial de mercado.
Trajetória internacional
Antes de chegar à premiação nacional, a Linha Igarapés já havia ganhado espaço fora do país. Em 2024, integrou a mostra Coccoloba, em Milão, considerada uma das principais vitrines do design contemporâneo.
A participação em eventos internacionais contribuiu para consolidar o posicionamento da movelaria no segmento de móveis de alto valor agregado, ampliando sua visibilidade no mercado.
Agora, a presença na exposição em São Paulo reforça esse percurso e abre novas possibilidades para o design amazônico no cenário brasileiro.
Para a equipe envolvida, o reconhecimento também simboliza a validação de um modelo produtivo que conecta floresta, cultura e inovação. “Nosso trabalho entrega para as pessoas a natureza, garantindo a preservação e conservação da floresta”, conclui Luciana Di Paula.
Serviço
Exposição: 36º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira
Abertura: 25 de abril de 2026, às 11h
Local: Complexo Cultural Oswald de Andrade
