A ancestralidade afro-brasileira chega ao palco do Teatro Margarida Schivasappa, em Belém, no dia 14 de agosto, com o espetáculo cênico-musical “Gungas, Marimbas e Urucungos em Encantorias Ancestrais”. A apresentação começa às 19h30 e tem entrada gratuita.
A montagem faz parte da turnê nacional “Mandingas e Mandingueiros no Caminho da Ancestralidade”, realizada pelo Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã, do Maranhão, em parceria com o Ministério da Cultura e com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet.
O espetáculo chega à capital paraense depois de passar por Parnaíba, no Piauí, e por cidades maranhenses, como São Luís e Itapecuru-Mirim. Depois de Belém, a circulação segue para o Rio de Janeiro, onde será encerrada em setembro.
Selecionado entre cerca de oito mil projetos inscritos na seleção pública Petrobras Cultural, o trabalho reúne capoeiristas e jovens quilombolas de comunidades maranhenses. A proposta é apresentar a Capoeira Angola não apenas como prática corporal, mas como expressão de memória, resistência, espiritualidade e identidade.
Capoeira, música e tradições afro-brasileiras
Com aproximadamente uma hora de duração, a apresentação combina dança, canto, teatro e música para contar histórias relacionadas à resistência do povo negro e à preservação de saberes ancestrais.
No centro da montagem está o berimbau, instrumento que também recebe os nomes de gunga, urucungo e marimba. O som conduz a narrativa e estabelece conexões entre a Capoeira Angola e manifestações como o Tambor de Crioula, o Bumba Meu Boi, o samba e tradições de matriz africana.
A Orquestra de Berimbaus Mandingueiros do Amanhã, formada principalmente por jovens quilombolas, participa da apresentação.
Para Mestra Valdira Barros, fundadora do Centro Cultural Mandingueiros do Amanhã, levar esse conhecimento para diferentes públicos também é uma maneira de manter viva a memória das comunidades.
“É uma forma de perpetuar a tradição, fortalecer as raízes da Capoeira Angola e valorizar a autoestima da juventude negra”, afirma.
O diretor artístico Mestre Bamba destaca que a proposta ultrapassa uma apresentação convencional de capoeira. Segundo ele, o espetáculo evidencia as relações da manifestação com os orixás, o tambor, o samba e outras expressões da cultura afro-brasileira.
Turnê promove intercâmbio cultural
A passagem por Belém representa uma das etapas da circulação nacional do projeto. A iniciativa busca aproximar públicos de diferentes regiões do país de manifestações culturais ligadas à ancestralidade negra e às comunidades quilombolas.
Além das apresentações, o projeto desenvolve ações voltadas à valorização da Capoeira Angola e dos patrimônios culturais afro-brasileiros.
Mais de 50 profissionais estão envolvidos na montagem, entre artistas, músicos, capoeiristas, atores, bailarinos e integrantes da equipe técnica.
Com 29 anos de atuação, o Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã desenvolve projetos socioculturais em São Luís e, há aproximadamente uma década, também atua junto a comunidades quilombolas do Maranhão.
A instituição utiliza a Capoeira Angola como ferramenta de educação, cidadania, inclusão social e valorização da cultura afro-brasileira.
Capoeira é reconhecida pela Unesco
A Capoeira foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A manifestação reúne elementos de luta, dança, música e tradição e se consolidou como uma das principais expressões da cultura afro-brasileira.
Em Belém, o espetáculo propõe justamente um encontro entre esses diferentes elementos, levando ao público uma experiência que conecta arte, memória e identidade.
Serviço
O quê: Espetáculo “Gungas, Marimbas e Urucungos em Encantorias Ancestrais”
Quando: 14 de agosto de 2026, sexta-feira
Horário: 19h30 às 20h30
Onde: Teatro Margarida Schivasappa, em Belém
Entrada: Gratuita
Acessibilidade: Audiodescrição e intérprete de Libras
Informações: @mandingasemandingueiros
Os ingressos podem ser retirados gratuitamente pela plataforma Sympla.
