O avanço do comércio dentro das redes sociais tem transformado a forma como consumidores descobrem e compram produtos. Entre as plataformas que impulsionam esse movimento está o TikTok, que deixou de ser apenas um espaço de entretenimento e passou a desempenhar papel relevante na descoberta de marcas e tendências de consumo.
Com a expansão do TikTok Shop no Brasil a partir de 2025, especialistas apontam que o modelo de social commerce deve ganhar ainda mais força em 2026.
Segundo o empreendedor e mentor Alexandre Capella, empresas que compreendem a lógica da plataforma conseguem transformar vídeos virais em vendas consistentes.
“Com mais de 152 milhões de usuários brasileiros, a plataforma se tornou um dos ambientes mais poderosos para descobertas de marcas, tendências e consumo por impulso”, afirma.
Preço acessível aumenta conversão de vendas
De acordo com Capella, um dos fatores que mais influenciam o desempenho de produtos no TikTok Shop é o valor final ao consumidor.
“Existe uma espécie de receita para o TikTok Shop que envolve preço correto, estrutura operacional, creators em escala e uma estratégia de aquisição de clientes”, explica.
Segundo o estrategista, produtos com preço de até 79 reais e 90 centavos tendem a apresentar taxas de conversão mais altas.
“Produtos com preço de até R$ 79,90 apresentam taxas de conversão significativamente maiores, pois criam uma percepção de baixo risco”, destaca.
Para se adaptar a esse comportamento de compra mais impulsivo, muitas marcas têm adotado estratégias como versões menores de produtos, kits de entrada e itens exclusivos para venda dentro da plataforma.
Estrutura operacional é essencial para atender demanda
Apesar da aparência simples para o consumidor, operar no TikTok Shop exige uma estrutura tecnológica e logística robusta.
Empresas que atuam no ambiente precisam manter sistemas de gestão integrados, emissão automática de notas fiscais e conexão com operadores logísticos. Entre os sistemas mais utilizados no Brasil estão plataformas de gestão como Bling e Tiny ERP.
“Se um vídeo viraliza e a empresa recebe milhares de pedidos em poucas horas, a operação precisa estar preparada. Sem estrutura, ela trava”, observa Capella.
Nesse modelo, a logística é gerenciada pela própria plataforma, que define se os pedidos serão enviados para pontos de coleta ou retirados diretamente no centro de distribuição da empresa.
Creators impulsionam alcance e viralização
Outro elemento importante para o crescimento dentro do TikTok Shop é a participação de criadores de conteúdo afiliados.
Segundo Capella, a validação de um produto não acontece com poucos vídeos publicados. Em muitos casos, é necessário produzir milhares de conteúdos até que o algoritmo identifique padrões de audiência.
“Uma validação robusta costuma envolver entre dois mil e três mil vídeos publicados. Quando determinados conteúdos começam a performar acima da média, a plataforma amplia a distribuição, gerando o efeito viral”, explica.
Operações de alto desempenho costumam trabalhar com três mil a cinco mil creators ativos, número que pode crescer ainda mais ao longo do tempo.
Amostras e mídia paga ampliam alcance
Para estimular a produção de conteúdo, muitas empresas enviam amostras mensais para criadores testarem os produtos e compartilharem suas experiências.
Em alguns casos, marcas distribuem entre 1,5 mil e 3 mil unidades por mês, criando uma rede descentralizada de divulgação.
Além do alcance orgânico, o investimento em mídia paga também pode acelerar os resultados.
“Após cerca de 500 vídeos publicados já é possível identificar conteúdos com potencial de conversão. Investimentos entre mil e três mil reais por dia são comuns em operações validadas”, afirma Capella.
Apesar do potencial de faturamento, o especialista destaca que a rentabilidade depende de planejamento financeiro. Entre os custos envolvidos estão comissão da plataforma, taxa de logística, comissão de criadores, envio de amostras e tributos.
“Empresas que compreenderem essa dinâmica transformarão o TikTok não apenas em um canal de vendas, mas em uma poderosa máquina de geração de novos clientes, representando uma das maiores oportunidades da nova economia digital no Brasil em 2026”, conclui.
