Tecnologia avança no agro, mas falhas na aplicação de defensivos ainda reduzem produtividade

Rarison Trindade
Agricultura de precisão e sistemas inteligentes ganham espaço no campo, mas especialistas defendem maior integração entre tecnologia e operação para reduzir perdas - Foto: Divulgação/Kassiana Bonissoni.

O agronegócio brasileiro vive uma revolução tecnológica, impulsionada pela agricultura de precisão, drones, sensores e sistemas inteligentes. Apesar desse cenário, um dos principais desafios do setor continua sendo a eficiência na aplicação de defensivos agrícolas, etapa considerada decisiva para garantir produtividade, reduzir desperdícios e minimizar impactos ambientais.

Embora o mercado ofereça equipamentos modernos e ferramentas capazes de tornar as aplicações mais precisas, especialistas alertam que o problema não está apenas na tecnologia disponível, mas na forma como ela é utilizada no dia a dia das propriedades rurais.

Segundo o engenheiro agrônomo e professor titular da Unesp de Jaboticabal, Marcelo da Costa Ferreira, o setor dispõe de soluções suficientes para elevar a qualidade das aplicações fitossanitárias, porém ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao planejamento das operações e à capacitação técnica.

“Hoje existem máquinas, aplicativos, sensores e tecnologias bastante avançadas. O desafio é fazer com que essas ferramentas sejam utilizadas de forma integrada e estratégica para reduzir perdas e aumentar a eficiência”, afirma.

Entre os principais fatores que comprometem os resultados estão problemas como deriva dos produtos, escolha inadequada de equipamentos e falhas durante a operação. De acordo com o especialista, boa parte dessas perdas poderia ser evitada com maior alinhamento entre produtores, técnicos e demais profissionais envolvidos na cadeia produtiva.

Outro avanço que vem transformando o setor é o uso crescente de imagens de satélite, drones e ferramentas de sensoriamento remoto. Essas tecnologias permitem identificar diferenças dentro da própria lavoura e realizar aplicações localizadas, reduzindo custos e aumentando a precisão das intervenções.

“O olhar das máquinas consegue produzir informações em velocidade e nível de detalhamento muito superiores ao olho humano”, destaca Ferreira.

Apesar dos benefícios, a adoção dessas soluções ainda encontra resistência em muitas propriedades rurais. Para o pesquisador, além do investimento em tecnologia, é necessário promover uma mudança cultural na forma como as operações agrícolas são planejadas e executadas.

Ele também ressalta que o futuro da agricultura passa pela formação de profissionais preparados para lidar com as novas ferramentas digitais e desenvolver soluções cada vez mais eficientes para o campo.

AgrochemShow debate os desafios do setor

Os avanços tecnológicos e os desafios relacionados à aplicação de defensivos estarão entre os principais temas da AgrochemShow 2026, evento que reunirá especialistas, pesquisadores e profissionais do agronegócio nos dias 3 e 4 de agosto, no Centro de Eventos São Luís, em São Paulo.

Marcelo da Costa Ferreira será um dos palestrantes da programação com a apresentação “Desafios da Aplicação de Fitossanitários em Cenários de Demanda Alimentar e de Exigência Ambiental Crescente”, discutindo caminhos para tornar as operações agrícolas mais eficientes, sustentáveis e seguras.

As inscrições para o evento já estão abertas e serão realizadas mediante a doação de cestas básicas destinadas à ONG Crê-Ser. Na edição anterior, a iniciativa arrecadou cerca de 14 toneladas de alimentos, unindo atualização técnica e responsabilidade social.

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