Parque das Árvores Gigantes avança com plano de gestão participativo

Rarison Trindade
Representantes de comunidades tradicionais e instituições participaram das oficinas que vão orientar o Plano de Gestão do Parque das Árvores Gigantes da Amazônia - Foto: Kaio Hudson/IDEFLOR-Bio.

A construção do Plano de Gestão do Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia deu mais um passo importante com a realização de oficinas participativas que reuniram representantes de comunidades tradicionais, instituições públicas, organizações da sociedade civil e cooperativas no Pará e no Amapá.

Os encontros ocorreram entre os dias 9 e 14 de junho, no distrito de Monte Dourado, em Almeirim (PA), e na comunidade São Francisco do Iratapuru, em Laranjal do Jari (AP). As contribuições levantadas servirão de base para a elaboração da versão preliminar do documento que irá orientar a gestão da unidade de conservação.

A iniciativa integra o projeto Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II, que busca consolidar a gestão do parque por meio de planejamento, pesquisa científica, infraestrutura e incentivo ao turismo sustentável.

Na primeira etapa, realizada em Monte Dourado, foi promovida a primeira reunião ordinária do Conselho Gestor Consultivo da unidade. O encontro reuniu representantes do poder público, organizações socioambientais e moradores da região para discutir propostas relacionadas à conservação da floresta e ao desenvolvimento sustentável das comunidades do entorno.

Já na comunidade São Francisco do Iratapuru, no Amapá, o foco esteve na escuta das populações tradicionais. Durante as oficinas, moradores compartilharam conhecimentos sobre o uso dos recursos naturais, a dinâmica do território e as expectativas para o futuro do parque.

Segundo o diretor de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-Bio, Ellivelton Carvalho, o processo participativo fortalece a proteção de uma das áreas mais importantes da Amazônia.

“Estamos falando de uma unidade de conservação que abriga um patrimônio natural de relevância mundial. Construir o Plano de Gestão de forma participativa significa estabelecer bases sólidas para conciliar conservação ambiental, pesquisa científica e valorização das populações que vivem na região”, afirmou.

Para a moradora da comunidade São Francisco do Iratapuru, Maria das Graças, participar da elaboração do plano representa um compromisso com as futuras gerações.

“O que estamos construindo hoje talvez nossos filhos e netos aproveitem amanhã. Preservar essas árvores gigantes é preservar nossa própria vida, porque dependemos da floresta para viver”, destacou.

A coordenadora do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Juliane Menezes, ressaltou que a participação das comunidades é essencial para que o documento reflita a realidade do território.

Segundo ela, integrar conhecimento técnico e saberes tradicionais fortalece a gestão da unidade de conservação e amplia a efetividade das ações de preservação.

As propostas apresentadas durante as oficinas serão consolidadas pela equipe técnica responsável pela elaboração do Plano de Gestão. A versão preliminar ainda passará pela validação do Conselho Gestor Consultivo antes da publicação oficial, prevista para novembro de 2026.

Criado em setembro de 2024, o Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia protege cerca de 560 mil hectares de floresta em Almeirim, no oeste do Pará. A unidade abriga algumas das maiores árvores já registradas no Brasil, incluindo um angelim-vermelho com 88,5 metros de altura e aproximadamente 400 anos, considerado a maior árvore da América Latina.

Compartilhe
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *