Modelo de carbono na Amazônia amplia renda e impacto social em comunidades

Iniciativa integra conservação e geração de renda; estudo aponta avanço econômico entre produtores

Matheus Freire
Produção sustentável na Amazônia impulsiona renda local - Foto: Divulgação/Agência Eko

Um modelo de carbono desenvolvido na Amazônia tem demonstrado impacto direto na geração de renda e no fortalecimento de comunidades locais. A iniciativa, construída em parceria com a cooperativa RECA, em Rondônia, integra conservação ambiental à cadeia produtiva, permitindo que os próprios produtores gerem créditos e recebam os recursos.

A estratégia foi estruturada pela Natura, que adotou um formato conhecido como insetting — quando a compensação de emissões ocorre dentro da própria cadeia de fornecedores, ao invés da compra de créditos de terceiros.

Parceira da empresa há mais de uma década, a comunidade RECA fornece bioativos como cupuaçu e castanha-do-Brasil, consolidando-se como exemplo de integração entre produção e preservação.

Impacto na renda e na educação

Um estudo realizado em 2025 pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) analisou os efeitos socioeconômicos do projeto e apontou avanços significativos entre os participantes.

Entre os resultados, produtores envolvidos na iniciativa apresentam renda média anual 37% superior à de não participantes. O levantamento também indica que 25% dos filhos dessas famílias estão no ensino superior, frente a apenas 4% no grupo de comparação.

Além disso, os dados mostram melhora na capacidade de poupança e maior acesso a atividades de lazer, sugerindo impactos estruturais positivos no território.

“Optamos por estruturar um modelo de carbono que dialoga diretamente com nossa cadeia produtiva. O estudo reforça que é possível alinhar conservação da floresta, geração de renda e estratégia empresarial com impacto mensurável no território”, afirma Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura.

Como funciona

Na prática, a iniciativa vai além da compensação de emissões. Ao integrar a agenda climática à operação na Amazônia, a empresa busca ampliar a qualidade e a rastreabilidade dos créditos, ao mesmo tempo em que fortalece fornecedores estratégicos.

O modelo prevê a divisão dos recursos entre pagamentos diretos às famílias e um fundo coletivo, cuja aplicação é definida pela própria comunidade. Essa governança local tem permitido investimentos estruturantes e ampliado oportunidades para as novas gerações.

A Natura também estabeleceu como meta adquirir 50% dos créditos de carbono na Amazônia até 2030, reforçando o compromisso com a sociobiodiversidade e o desenvolvimento sustentável.

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