IA vai monitorar peixes do rio Xingu em tempo real

Redação
ia-monitoramento-peixes-rio-xingu-tempo-real - Foto: Helder Lana/Norte Energia.

Uma tecnologia inédita no Brasil promete revolucionar o monitoramento ambiental na Amazônia. Desenvolvido no Complexo Hidrelétrico Belo Monte, no Pará, um sistema baseado em inteligência artificial está sendo preparado para identificar automaticamente espécies de peixes que circulam pelo rio Xingu, ampliando a precisão dos estudos ambientais e fortalecendo ações de conservação da biodiversidade.

Batizado de Idarsa (Inteligência de Dados para Automação de Relatórios Socioambientais), o projeto utiliza recursos avançados de visão computacional para analisar imagens captadas por câmeras instaladas no Sistema de Transposição de Peixes da usina. A expectativa é que a ferramenta seja capaz de reconhecer, em tempo real, até 60 espécies consideradas estratégicas para o equilíbrio ecológico da região e para a atividade pesqueira local.

Atualmente, a identificação das espécies depende da observação de especialistas e de processos de amostragem. Com a implantação da nova tecnologia, o monitoramento ganhará mais agilidade, permitindo a coleta contínua de dados e uma análise mais detalhada da dinâmica dos peixes no rio.

O sistema está sendo desenvolvido pelo Instituto Atlântico dentro do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Norte Energia, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). O projeto também conta com a participação de pesquisadores e estudantes de universidades federais, fortalecendo a integração entre ciência, tecnologia e conservação ambiental.

O monitoramento ocorre na escada de peixes do Complexo Belo Monte, estrutura criada para garantir a migração das espécies e a continuidade de seus ciclos reprodutivos. Desde o início da operação, em 2016, o sistema já registrou a passagem de mais de 4,3 milhões de peixes pertencentes a 168 espécies diferentes.

Um dos principais diferenciais do Idarsa será a utilização do modelo Yolo, tecnologia reconhecida internacionalmente pela capacidade de detectar e classificar múltiplos objetos em tempo real. A meta dos pesquisadores é alcançar uma precisão superior a 90% na identificação das espécies até 2027.

Apesar do avanço tecnológico, os desafios são significativos. A diversidade de peixes da Amazônia, aliada às características naturais do rio Xingu, como a baixa luminosidade e a turbidez da água, exige o desenvolvimento de modelos altamente especializados para garantir resultados confiáveis.

Para Roberto Silva, gerente dos Meios Físico e Biótico da Norte Energia, a inovação representa um importante salto para a conservação ambiental na região.

“A inovação fortalece o monitoramento ambiental no rio Xingu ao transformar a tecnologia em uma aliada direta da conservação da biodiversidade amazônica”, destacou.

O projeto também contribui para a formação de novos especialistas em inteligência artificial aplicada à conservação ambiental. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e da Universidade Federal do Pará participam do desenvolvimento da ferramenta, produzindo estudos que poderão ampliar o conhecimento científico sobre a conectividade dos rios amazônicos e o comportamento das espécies migratórias.

Embora soluções semelhantes já sejam utilizadas em países como Estados Unidos, Canadá, Suécia e Noruega, o sistema desenvolvido no Pará se destaca pela complexidade do desafio. Enquanto projetos internacionais trabalham com um número reduzido de espécies, o Idarsa está sendo preparado para lidar com uma biodiversidade muito maior, característica dos ecossistemas amazônicos.

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