Como o excesso de álcool em eventos esportivos afeta a saúde do coração

Rarison Trindade
Profissionais de saúde orientam sobre a importância de intercalar água com bebidas alcoólicas para evitar desidratação e picos de pressão - Foto: Divulgação/Freepik.

Os momentos de lazer e as grandes competições esportivas frequentemente reúnem amigos e familiares em celebrações que incluem o consumo de bebidas alcoólicas. Contudo, quando a ingestão de álcool ocorre sem moderação, os efeitos imediatos e de longo prazo podem trazer sérias complicações para o organismo, além de inflar as estatísticas de acidentes e atendimentos de emergência.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 63,6% dos adultos brasileiros já consumiram álcool, e 34,7% praticam o chamado consumo pesado episódico, caracterizado pela ingestão de quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais para homens em um intervalo de duas horas. Esse padrão de comportamento gera um impacto financeiro expressivo no Sistema Único de Saúde (SUS), que despende anualmente R$ 1,1 bilhão com hospitalizações decorrentes de complicações ligadas ao álcool.

Impacto cardíaco e metabólico imediato

A forte carga emocional que acompanha os eventos esportivos, somada à ingestão de bebidas, pode sobrecarregar o sistema cardiovascular de forma abrupta. “O principal cuidado é estabelecer limites antes de começar a beber. Alternar bebidas alcoólicas com água, alimentar-se bem e nunca dirigir após ingerir álcool são regras básicas para evitar excessos”, orienta o médico de família Dr. Aloiso Sampaio, alertando que intoxicações, vômitos, quedas e insuficiência respiratória são riscos reais.

A combinação de noites mal dormidas, alimentos gordurosos e álcool altera severamente os parâmetros vitais do corpo humano, desencadeando respostas químicas perigosas. “O corpo libera uma descarga massiva de adrenalina, que eleva a pressão arterial e pode provocar arritmias e até infartos, mesmo em pessoas sem histórico de doenças cardíacas. O que muitos chamam de ‘ressaca forte’ pode ser, na verdade, uma sobrecarga perigosa para o coração e para o metabolismo”, adverte a biomédica Jessica Batista de Jesus.

Efeitos cumulativos e custos sociais

Os prejuízos à saúde tornam-se ainda mais graves se a rotina de excessos se estender por várias semanas de campeonato. O Dr. Aloiso Sampaio lembra que o uso frequente e abusivo está associado a patologias crônicas, como doenças hepáticas, hipertensão, neoplasias e dependência química. Na esfera metabólica, o fígado pode desenvolver esteatose (acúmulo de gordura) em poucas semanas, enquanto o sistema imunológico perde eficiência frente a infecções.

O impacto socioeconômico é monitorado globalmente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o álcool está associado a 12 mortes por hora no Brasil. Os custos diretos e indiretos, incluindo a perda de produtividade no mercado de trabalho e gastos previdenciários, alcançam a marca de R$ 18,8 bilhões por ano no país.

Como identificar o limite e mitigar danos

Sinais como sonolência excessiva, fala arrastada, perda de coordenação motora e dificuldades respiratórias indicam que o indivíduo ultrapassou os limites toleráveis e necessita de assistência. Além dos sintomas físicos, o estresse decorrente das partidas pode agravar quadros latentes de ansiedade ou gastrite.

Para os indivíduos que optam por consumir bebidas alcoólicas, especialistas recomendam medidas práticas de redução de danos para preservar a integridade física:

  • Hidratação constante: Ingerir um copo de água entre cada dose de álcool.
  • Alimentação prévia: Consumir refeições completas antes de beber e priorizar petiscos saudáveis, como frutas e castanhas, em detrimento dos ultraprocessados.
  • Atenção às misturas: Evitar estritamente a associação de álcool com bebidas energéticas, combinação que potencializa o risco de arritmias cardíacas graves.
  • Foco no convívio: Centralizar a experiência no lazer e na socialização, evitando que o consumo de substâncias seja o foco principal da reunião.
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