Em um momento em que especialistas alertam para o risco de um “apagão de professores” no Brasil, iniciativas voltadas à formação prática de futuros educadores ganham ainda mais relevância. Projeção do Instituto Semesp indica que o país pode enfrentar um déficit de até 235 mil professores na Educação Básica até 2040, diante da queda no interesse pelas licenciaturas e do envelhecimento da força de trabalho docente.
Os desafios também aparecem na formação de novos profissionais. Dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 mostram que apenas 14,7% dos ingressantes em cursos de licenciatura estavam entre os 20% com melhor desempenho no Enem, percentual inferior aos registrados em 2020 (22,7%) e que evidencia a redução da atratividade da carreira docente entre estudantes de alto rendimento.
Estudos também apontam os benefícios da experiência para a formação acadêmica. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Educação Médica identificou que estudantes participantes de programas de monitoria destacam entre as principais motivações para a atividade a oportunidade de aprofundar conhecimentos, vivenciar a experiência de ensinar, promover a troca de saberes entre colegas e agregar valor à trajetória acadêmica e profissional.
Nesse cenário, o Instituto YDUQS investe na qualificação de futuros educadores por meio do seu programa Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos. Este ano são 80 alunos-monitores que atuam na iniciativa e que participam de diferentes capacitações em habilidades essenciais para o desenvolvimento da leitura e da escrita, fortalecendo sua formação acadêmica e prática enquanto apoiam aproximadamente 500 alunos em processo de alfabetização em 21 unidades do grupo espalhadas pelo país.
Além de atuarem diretamente com aproximadamente 500 alunos, em 12 estados localizados em diferentes regiões do Brasil, os futuros pedagogos vivenciam na prática os desafios e as possibilidades da profissão. Desde a implantação do programa junto as IES parceiras, mais de 520 alunos tiveram esta oportunidade antes de se formar, uma formação complementar e diferenciada, que gera um diferencial para o mercado de trabalho.
A trajetória da monitora Giovana Castro, de 23 anos, ilustra como o programa contribui para a formação de novos profissionais da educação. Estudante do quarto período de Pedagogia, ela iniciou a graduação em 2025 após cursar quatro períodos de outra área com a qual não se identificava. A única certeza, porém, era de que queria construir sua carreira na educação.
“Estar no programa é uma oportunidade muito única e me permitiu conhecer a pedagogia na prática desde a graduação. Além de contribuir para a aprendizagem dos alunos, eu também cresço profissionalmente a cada encontro e reforço a certeza de que escolhi a profissão certa”, destaca.
Filha de pais que não tiveram acesso ao ensino superior, Giovana faz parte de uma geração que está ampliando esse legado familiar. Seu irmão mais velho tornou-se recentemente o primeiro dos filhos a concluir uma graduação. Atualmente, além dos estudos e da atuação no programa, ela realiza estágio como assistente de turma em uma escola particular. Antes de ingressar na Pedagogia, trabalhou no aeroporto para ajudar a custear seus estudos.
A experiência prática proporcionada pela monitoria tem potencial para gerar impactos que ultrapassam a formação acadêmica. Um exemplo é a trajetória de Samuel Barros, executivo do Ibmec que iniciou sua jornada na instituição há mais de duas décadas como monitor.
Ao longo dos anos, Samuel construiu uma carreira sólida na educação superior, assumindo diferentes posições acadêmicas e de gestão até alcançar uma função de liderança nacional. Sua história demonstra como experiências de monitoria podem desenvolver habilidades de comunicação, didática, liderança e gestão desde os primeiros anos da graduação, abrindo caminhos para uma trajetória profissional consistente.
“A monitoria foi uma das experiências mais marcantes da minha formação. Foi ali que desenvolvi competências que me acompanham até hoje, como a capacidade de ensinar, ouvir, liderar e trabalhar em equipe. Muitas vezes, os alunos enxergam a monitoria como uma atividade complementar, mas ela pode ser o início de uma trajetória profissional transformadora”, afirma Samuel Barros.
Segundo Lucyane Mendes Silva, pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Internacionalização de uma das instituições da Wyden a monitoria acadêmica aproxima o estudante da prática da docência sem substituir o papel do professor. “É uma experiência que estimula a troca de conhecimentos, a colaboração entre pares e o desenvolvimento de competências fundamentais para a atuação profissional. Ao apoiar outros alunos, o monitor também fortalece o próprio aprendizado, revisita conceitos, amplia sua capacidade de comunicação e desenvolve habilidades de liderança e responsabilidade”, afirma.
