Quero melhorar, mas não quero que ninguém perceba.” A frase aparece com frequência nos consultórios dermatológicos e revela uma dúvida comum entre pacientes que buscam procedimentos estéticos: como mudar sem perder a naturalidade?
A resposta passa, primeiro, por entender o objetivo de cada tratamento. Segundo a dermatologista Paula Sian, bioestimuladores de colágeno e preenchimentos têm propostas diferentes e, por isso, não devem ser comparados apenas pelo resultado visual.
“Muitas pessoas dizem que querem algo natural, que não querem ficar inchadas, com o rosto muito duro ou com aparência artificial. Ao mesmo tempo, esperam uma mudança significativa. Existe uma contradição, porque, quando o resultado é discreto demais para os outros, muitas vezes também é difícil para o próprio paciente percebê-lo”, explica.
Para a especialista, definir se a intenção é fazer uma manutenção ou promover uma transformação é uma das etapas mais importantes antes da escolha do procedimento.
Bioestimulador atua de forma gradual
O bioestimulador de colágeno é utilizado principalmente quando o objetivo é melhorar gradualmente aspectos como firmeza, sustentação e contorno da pele. Como depende da resposta do próprio organismo ao estímulo provocado pelo produto, o resultado tende a aparecer de maneira progressiva.
“O efeito é muito mais natural. Por isso, o bioestimulador está mais próximo de uma manutenção do que de uma transformação. Ele pode melhorar a firmeza e a sustentação, mas não costuma provocar aquela mudança imediata que algumas pessoas imaginam”, afirma Paula.
A percepção sobre o resultado também pode gerar dúvidas. A dermatologista explica que o principal objetivo da técnica não é necessariamente modificar a superfície da pele, mas atuar na sustentação e no contorno.
“Pode existir uma melhora geral na aparência, mas o efeito principal não é necessariamente modificar a superfície da pele. O objetivo é melhorar sustentação, contorno e firmeza”, esclarece.
Preenchimento produz mudanças mais visíveis
O preenchimento, por outro lado, costuma ser indicado quando o paciente busca uma alteração mais localizada e perceptível. A técnica pode ser utilizada para repor volume, corrigir determinadas regiões ou modificar proporções do rosto, de acordo com a avaliação profissional.
A diferença entre as propostas pode ser percebida no resultado. Enquanto o bioestimulador apresenta uma evolução mais gradual, o preenchimento tende a produzir uma mudança visual mais evidente.
Paula conta que já acompanhou o caso de uma paciente que havia ficado satisfeita com o preenchimento na região das olheiras e, posteriormente, realizou um tratamento voltado à melhora da firmeza e do contorno facial.
“Ela comentou que o resultado não havia sido como o do preenchimento. E realmente não seria, porque as propostas eram diferentes. Mesmo quando explicamos que um tratamento terá efeito mais leve do que o outro, existe a possibilidade de frustração caso a expectativa inicial não esteja totalmente alinhada”, relata.
Resultado natural não significa ausência de mudança
Para a dermatologista, outro ponto importante é desconstruir a ideia de que um resultado natural significa não apresentar nenhuma alteração visível.
“Um resultado natural não é necessariamente aquele que não produz qualquer mudança, mas aquele que respeita as características do rosto, a movimentação e a identidade do paciente”, afirma.
A indicação também deve considerar o que o paciente pretende modificar. Quem busca mudanças mais evidentes em regiões específicas pode não encontrar no bioestimulador a resposta esperada.
“Uma pessoa que deseja aumentar os lábios, projetar o queixo, definir determinadas regiões ou promover uma alteração mais evidente dificilmente ficará satisfeita apenas com um bioestimulador”, explica.
Fotografias ajudam a acompanhar a evolução
O acompanhamento por fotografias de antes e depois também pode ajudar na avaliação dos resultados. Segundo Paula, é comum que o paciente se acostume gradualmente com a própria aparência e tenha dificuldade para perceber as mudanças obtidas.
“As pessoas se acostumam com o resultado. Depois de um tempo, algumas dizem que tudo já saiu. Quando mostramos as fotografias do antes e depois, elas percebem que ainda estão bem diferentes de como eram”, conta.
A especialista também destaca que a aparência logo após um procedimento não representa necessariamente o resultado final. Inchaço e alterações temporárias podem modificar a percepção inicial.
“Quando a pessoa sorri, fala e faz suas expressões, aquela região volta a dobrar e se movimentar. O aspecto mais inchado ou mais reto dos primeiros dias não permanece para sempre”, explica.
Por isso, segundo a dermatologista, avaliar um procedimento apenas nos primeiros dias pode criar expectativas diferentes da evolução que será observada ao longo do tempo.
