Com cerca de 86 bilhões de neurônios e centenas de trilhões de conexões sinápticas, o cérebro humano consome aproximadamente 20% de toda a energia do corpo. Para manter o bom funcionamento de funções como memória, raciocínio, foco e regulação emocional, a nutrição desempenha um pilar central. O alerta ganha destaque no Dia Mundial do Cérebro, comemorado em 22 de julho, ressaltando como escolhas alimentares adequadas atuam na proteção neurológica desde a fase gestacional até a terceira idade.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 3 bilhões de pessoas no mundo vivem com alguma condição neurológica. A adoção de padrões alimentares saudáveis surge como uma estratégia preventiva relevante contra o declínio cognitivo e doenças como Alzheimer, Parkinson, enxaqueca, epilepsia e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O eixo intestino-cérebro e os padrões alimentares recomendados
A relação entre a alimentação e a saúde do cérebro passa de forma direta pelo chamado eixo intestino-cérebro. Uma microbiota intestinal equilibrada produz compostos e neurotransmissores que modulam o humor, a memória e a resposta inflamatória do organismo.
De acordo com o médico nutrólogo Prof. Dr. Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), padrões de alimentação como a Dieta Mediterrânea e a Dieta MIND são as que apresentam as maiores evidências científicas de proteção neurológica:
“A saúde cerebral não é construída em um único momento, mas representa um compromisso que precisamos assumir ao longo da vida. Estudos mostram que determinados padrões alimentares podem reduzir o risco de declínio cognitivo e doenças neurológicas, atuando na preservação da memória e no controle do estresse oxidativo.”
Nutrientes essenciais e riscos dos ultraprocessados
Para assegurar o bom desempenho cognitivo e combater o envelhecimento precoce das células cerebrais, especialistas destacam a importância do consumo regular de:
- Ômega-3 (DHA e EPA): encontrado em peixes como salmão, sardinha e atum, fundamental para a memória e formação de neurônios;
- Antioxidantes e Vitaminas (C, E, B6, B9, B12 e D): presentes em frutas vermelhas, vegetais verde-escuros e cacau, atuando contra processos oxidativos e na produção de neurotransmissores;
- Minerais (Zinco, Magnésio e Ferro): essenciais para a atenção, concentração e comunicação sináptica;
- Colina e Fibras: encontradas em ovos, leguminosas e alimentos fermentados (iogurte e kefir), auxiliando na microbiota e na produção de acetilcolina.
Por outro lado, o consumo frequente de produtos ultraprocessados e o excesso de açúcar favorecem o estresse oxidativo, a inflamação sistêmica e a resistência à insulina no cérebro. Esse cenário eleva o risco de quadros depressivos, déficit de atenção e acelera o comprometimento da memória.
A nutrição, quando aliada ao sono regulado, à prática regular de exercícios físicos e ao estímulo intelectual contínuo, constitui a base fundamental para a manutenção da capacidade cognitiva ao longo dos anos.
