Profissionais 40+ buscam qualificação para ingressar no mercado de trabalho

Matheus Freire
Rangel de Oliveira Moura, de 60 anos, voltou à sala de aula para cursar Eletrotécnica e ampliar seus conhecimentos profissionais. Créditos: Divulgação.

O envelhecimento da população brasileira começa a produzir reflexos que vão além da previdência e da saúde, chegando também ao mercado de trabalho, que precisa se adaptar a uma força de trabalho cada vez mais madura. Em 2024, o Brasil tinha cerca de 34,1 milhões de pessoas idosas, o equivalente a 19,7% da população em idade de trabalhar, segundo dados do IBGE. Entre os profissionais acima dos 40 anos, permanecer ativo, buscar novas oportunidades ou até iniciar uma segunda carreira passa a exigir, cada vez mais, disposição para acompanhar as transformações do mundo profissional.

Nesse cenário, a formação profissional deixa de ser vista apenas como uma etapa de entrada no mercado e passa a fazer parte também da trajetória de quem já acumulou anos de experiência. Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), com base em dados da Pnad/IBGE de 2022, mostra que 33,9% dos estudantes de cursos técnicos de nível médio tinham entre 30 e 49 anos. O dado evidencia que a educação profissional também é procurada por adultos que já estão inseridos ou já passaram pelo mercado de trabalho e buscam qualificação ou requalificação.

Para Rodrigo Lyra, gestor do Grau Técnico Belém, a experiência acumulada ao longo da carreira pode ser um diferencial importante quando associada à atualização profissional. “O profissional que chega aos 40 anos ou mais não está começando do zero. Ele traz uma bagagem de experiências, conhecimentos e responsabilidades que podem ser muito valiosos. Quando essa experiência é aliada a uma nova formação, ele amplia suas possibilidades e se prepara para acompanhar um mercado que está em constante transformação”, afirma.

Aos 60 anos, Rangel de Oliveira Moura, aluno do curso técnico em Eletrotécnica, decidiu voltar à sala de aula depois de uma trajetória profissional marcada por diferentes experiências. A decisão veio também por incentivo da esposa, que viu a oportunidade da profissionalização. “Como eu estava parado, resolvi aceitar. Mas eu não sabia que era tão bom desse jeito. É uma coisa maravilhosa, em que estou expandindo o meu conhecimento e buscando conhecimento também. Isso vai, lá na frente, me dar uma estabilidade melhor”, conta Rangel.

O estudante destaca ainda que a experiência de voltar a sala de aula vai além do conteúdo técnico. A convivência com colegas de diferentes idades e trajetórias também tem contribuído para sua formação. “As amizades que a gente cria, que também buscam inovação em suas vidas e querem crescer no mercado de trabalho, me incentiva diariamente a continuar. Eu estou muito feliz aqui”, relata.

A mudança no perfil etário da população também coloca às empresas o desafio de repensar a forma como enxergam os profissionais mais experientes. Valorizar competências desenvolvidas ao longo dos anos, combater preconceitos relacionados à idade e criar oportunidades de atualização podem ajudar organizações a aproveitar melhor uma parcela da força de trabalho que tende a permanecer economicamente ativa por mais tempo.

A trajetória de Rangel também mostra que a busca por qualificação não precisa estar limitada a uma determinada fase da vida. “A educação não precisa ter prazo de validade. O profissional pode aprender, se atualizar e construir novos caminhos em diferentes momentos da vida. O importante é entender quais são seus objetivos e buscar uma formação que dialogue com as oportunidades que existem no mercado”, destaca o gestor Rodrigo Lyra.

Fonte: Wesley Costa – Grau Técnico

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