O Marajó tem praias, campos alagados, igarapés, gastronomia, cultura e modos de vida que mudam conforme a época do ano. Mas, para quem vive do turismo na região, transformar toda essa diversidade em uma comunicação capaz de atrair visitantes durante os 12 meses ainda é um desafio.
Foi a partir dessa discussão que empreendedores e representantes do setor turístico se reuniram na última quarta-feira (30), em Soure, para falar sobre a imagem que o arquipélago quer construir para quem está do outro lado da tela. O encontro “A imagem que queremos construir: um diálogo sobre comunicação e promoção responsável do Marajó” foi realizado no Instituto Caruanas, com apoio do Sebrae no Pará.
A conversa surgiu de uma demanda dos próprios empreendedores, que buscam alternativas para movimentar o turismo também durante o primeiro semestre, período marcado pelo maior volume de chuvas na região. A ideia é deixar de enxergar esse intervalo apenas como baixa temporada e apresentar as características que tornam o Marajó diferente nesse período.
É quando os campos ficam alagados, a vegetação ganha tons mais intensos e os igarapés passam a fazer parte de outras experiências para quem visita a região. Na estiagem, por outro lado, as praias e outras atividades ganham espaço. A comunicação, segundo os participantes, precisa acompanhar essas mudanças sem criar uma imagem distorcida do destino.
Uma das propostas que nasceu dessa discussão é o Invernada Marajoara, circuito gastronômico pensado para valorizar a região durante o período chuvoso e estimular a circulação de visitantes fora dos meses tradicionalmente associados às viagens ao arquipélago.
O debate também chamou atenção para a responsabilidade de quem produz conteúdo sobre o destino. Informações equivocadas, imagens fora de contexto ou uma divulgação que ignore as particularidades locais podem interferir na percepção de quem pretende conhecer o Marajó.
Para Renata Trícia, gerente regional do Sebrae no Pará no Marajó, a construção dessa imagem não depende apenas das instituições de turismo. Os próprios moradores e empreendedores também participam desse processo ao contar suas experiências e apresentar o território ao público.
A proposta discutida em Soure foi construir, de forma coletiva, caminhos para uma comunicação mais conectada à realidade do arquipélago. Mais do que divulgar um destino, a discussão colocou em pauta como contar o Marajó sem reduzir sua diversidade a uma única temporada, paisagem ou experiência.
