O artesanato e a identidade cultural do Pará ganham projeção internacional na 26ª Fenearte (Feira Nacional de Negócios do Artesanato), que teve início na quarta-feira (8), no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda (PE). Reconhecido como o maior evento do setor na América Latina e um dos principais pilares da economia criativa do continente, o circuito reúne mais de 5 mil expositores e projeta atrair milhares de compradores em cerca de 700 espaços comerciais ativos.
A delegação paraense garantiu a sua participação através de um edital público de fomento promovido pelo Governo do Estado do Pará. O objetivo da política pública é subsidiar o escoamento da produção artística regional, gerar novas redes de negócios e dar visibilidade ao uso sustentável de matérias-primas extraídas das florestas do Norte.
Representação paraense: Miriti, Cerâmica e Biojoias
As técnicas tradicionais transmitidas de forma intergeracional conduzem o portfólio dos expositores paraenses no evento. Os principais nichos artesanais levados ao pavilhão de Pernambuco incluem:
- Artesanato de Miriti: Representado por Maria Elita Matias de Sarges, de Abaetetuba, o estande apresenta peças leves talhadas na fibra da palmeira de miriti, consideradas símbolos do patrimônio imaterial paraense;
- Cerâmica Artística: A artesã belenense Nazaré Nunes expõe obras que exploram texturas, acabamentos e iconografias inspiradas nas matrizes culturais da Amazônia;
- Biojoias e Acessórios: Aparecida Matos, também de Belém, assina peças de design contemporâneo confeccionadas a partir da combinação de argila estruturada e sementes nativas. “Trabalhar com o miriti é manter viva uma tradição que atravessa gerações. Cada peça leva um pouco da nossa história e da cultura amazônica. Participar da Fenearte é uma oportunidade de mostrar para visitantes de todo o Brasil a riqueza do artesanato produzido no Pará”, afirma a artesã Maria Elita.
A designer de biojoias Aparecida Matos reforça o viés da sustentabilidade no mercado da moda. “Nosso artesanato nasce da natureza e do conhecimento passado de geração em geração. As biojoias mostram que é possível criar peças sofisticadas utilizando materiais naturais, valorizando a biodiversidade da Amazônia e o trabalho dos artesãos paraenses”, pontua.
Estrutura de negócios e fomento à economia criativa
A edição corrente da feira homenageia a cadeia produtiva do couro com o tema “Seleiros de Pernambuco: Ofício que Transforma”. Mais do que um espaço de comercialização direta, a Fenearte funciona como um centro de qualificação, oferecendo aos artesãos oficinas de marketing digital, gestão financeira e formalização profissional em parceria com o Sebrae.
O complexo conta com forte infraestrutura de acessibilidade — incluindo visitas guiadas para pessoas neurodivergentes e recursos comunicacionais para deficientes visuais e surdos —, além de rotas de traslado gratuito conectando os principais centros comerciais de Recife e Olinda ao pavilhão de exposição.
