Saúde ocular: veja como prevenir o glaucoma e evitar a perda da visão

Redação
Consultas periódicas ao oftalmologista ajudam a rastrear doenças silenciosas antes que ocorram danos irreversíveis à retina - Foto: Divulgação/Ascom.

O Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado nesta sexta-feira (10), mobiliza a comunidade médica para um alerta de saúde pública: a maioria dos quadros de perda severa ou total da visão pode ser evitada através de medidas preventivas e diagnósticos precoces. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que aproximadamente 75% dos casos de cegueira registrados no país seriam evitáveis ou tratáveis caso tivessem sido identificados em suas fases iniciais.

No cenário epidemiológico nacional, o glaucoma se destaca como a principal causa de cegueira irreversível no mundo, estimando-se que cerca de um milhão de brasileiros convivam atualmente com a patologia.

Na Região Norte, especialmente no estado do Pará, os cuidados com o aparelho visual exigem atenção redobrada devido a condicionantes geográficas e climáticas. A intensa incidência de radiação solar durante todo o ano, somada ao envelhecimento progressivo da população local e à alta taxa de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, eleva estatisticamente os riscos de desenvolvimento de catarata, degeneração macular e retinopatia diabética.

O principal desafio clínico reside no caráter assintomático de diversas enfermidades oculares. Muitas patologias progridem sem manifestar dor ou embaçamento inicial perceptível, gerando danos permanentes antes que o paciente busque assistência médica.“A maioria das doenças que levam à perda da visão não causa dor nem alterações importantes no início. Por isso, o exame oftalmológico periódico é fundamental. Quando diagnosticadas precocemente, doenças como glaucoma, catarata e retinopatia diabética podem ser controladas ou tratadas, preservando a visão e a qualidade de vida do paciente”, explica o oftalmologista Herundino Neto.

O combate à perda visual crônica tem recebido suporte da rede pública. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam que o número de cirurgias oftalmológicas na rede pública apresentou um crescimento expressivo de mais de 62%, facilitando o acesso a procedimentos de catarata e tratamentos de retina.

Para além das intervenções cirúrgicas, especialistas recomendam a incorporação de hábitos diários de proteção biológica:

  • Uso regular de óculos escuros com filtros de proteção contra raios ultravioleta (UV);
  • Monitoramento rigoroso dos níveis glicêmicos e da pressão arterial;
  • Abandono da prática de automedicação com colírios sem prescrição;
  • Atenção a sinais de alerta como flashes de luz repentinos, dores oculares ou perda de campo visual periférico.

A orientação técnica estabelece que adultos realizem exames preventivos anuais, sobretudo após os 40 anos — faixa etária em que os riscos de pressões intraoculares elevadas aumentam. Da mesma forma, o monitoramento deve iniciar-se na infância, permitindo corrigir distúrbios de refração que afetam o desenvolvimento cognitivo e visual das crianças.

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