Companhia reduz uso de água com resíduo na irrigação

Tecnologia sustentável transforma resíduo industrial em solução para economia de água no campo

Matheus Freire
Aplicação de lodo primário no solo ajuda a reter umidade e reduzir o consumo de água em plantios de eucalipto - Foto: Divulgação/Agência Jambo

No contexto do Dia Mundial da Água, celebrado no último domingo (22), cresce a pressão por soluções que garantam o uso sustentável dos recursos hídricos. O avanço populacional, a expansão das atividades produtivas e as mudanças climáticas têm elevado a demanda por água doce, colocando em evidência iniciativas que aliam inovação e preservação ambiental.

Nesse cenário, a Suzano, considerada a maior produtora mundial de celulose, tem adotado estratégias para reduzir o consumo de água em suas operações florestais. A companhia implementou uma tecnologia que reutiliza o chamado lodo primário, um resíduo orgânico gerado durante a produção de celulose, como aliado no processo de irrigação de mudas de eucalipto.

A solução consiste na aplicação do material tratado diretamente no solo. Com textura semelhante a um gel, o lodo forma uma camada orgânica que reduz a evaporação da água e amplia a retenção de umidade. Como resultado, há diminuição na frequência e no volume de irrigação necessários, o que contribui para reduzir o estresse hídrico das plantas.

De acordo com dados da empresa, a tecnologia já apresenta resultados nas áreas de teste, com economia estimada de cerca de 60 mil litros de água por ano no processo de irrigação.

“Esse resíduo orgânico passou a ser estudado e pesquisado e, neste processo, foi identificada a oportunidade de evitar o seu descarte por meio da sua utilização nas etapas de irrigação em nosso plantio, uma vez que o lodo ajuda na retenção da umidade para a muda de eucalipto, especialmente nos períodos em que as temperaturas são elevadas.”, explica Marina Valin, gerente de silvicultura da companhia.

Atualmente, a iniciativa é aplicada em aproximadamente 12 mil hectares por ano, distribuídos entre os estados do Pará, Maranhão e Tocantins. O uso anual chega a cerca de 1,7 mil toneladas de lodo primário. No Pará, os plantios estão localizados em municípios como Rondon do Pará, Dom Eliseu, Ulianópolis e Paragominas, entre outros.

Além do impacto ambiental positivo, o material também gera benefícios diretos para comunidades rurais. Por possuir efeito aglutinante, o lodo contribui para a redução da poeira em estradas vicinais, melhorando as condições de tráfego e a qualidade de vida de moradores locais.

A iniciativa também se alinha à estratégia de economia circular da empresa, ao dar novo destino a um subproduto industrial. O projeto, inclusive, foi reconhecido com o Prêmio ABTCP 2022, na categoria Inovação e Sustentabilidade.

“Destinamos os resíduos gerados em nossas operações com responsabilidade, sempre respeitando todas as exigências legais. Nosso objetivo é ampliar a circularidade desses materiais, permitindo que possam ser utilizados em outras cadeias produtivas. Seguimos buscando soluções de destinação e continuaremos investindo no desenvolvimento de alternativas cada vez mais sustentáveis.”, finaliza Marina.

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