No contexto do Dia Mundial da Água, celebrado no último domingo (22), cresce a pressão por soluções que garantam o uso sustentável dos recursos hídricos. O avanço populacional, a expansão das atividades produtivas e as mudanças climáticas têm elevado a demanda por água doce, colocando em evidência iniciativas que aliam inovação e preservação ambiental.
Nesse cenário, a Suzano, considerada a maior produtora mundial de celulose, tem adotado estratégias para reduzir o consumo de água em suas operações florestais. A companhia implementou uma tecnologia que reutiliza o chamado lodo primário, um resíduo orgânico gerado durante a produção de celulose, como aliado no processo de irrigação de mudas de eucalipto.
A solução consiste na aplicação do material tratado diretamente no solo. Com textura semelhante a um gel, o lodo forma uma camada orgânica que reduz a evaporação da água e amplia a retenção de umidade. Como resultado, há diminuição na frequência e no volume de irrigação necessários, o que contribui para reduzir o estresse hídrico das plantas.
De acordo com dados da empresa, a tecnologia já apresenta resultados nas áreas de teste, com economia estimada de cerca de 60 mil litros de água por ano no processo de irrigação.
“Esse resíduo orgânico passou a ser estudado e pesquisado e, neste processo, foi identificada a oportunidade de evitar o seu descarte por meio da sua utilização nas etapas de irrigação em nosso plantio, uma vez que o lodo ajuda na retenção da umidade para a muda de eucalipto, especialmente nos períodos em que as temperaturas são elevadas.”, explica Marina Valin, gerente de silvicultura da companhia.
Atualmente, a iniciativa é aplicada em aproximadamente 12 mil hectares por ano, distribuídos entre os estados do Pará, Maranhão e Tocantins. O uso anual chega a cerca de 1,7 mil toneladas de lodo primário. No Pará, os plantios estão localizados em municípios como Rondon do Pará, Dom Eliseu, Ulianópolis e Paragominas, entre outros.
Além do impacto ambiental positivo, o material também gera benefícios diretos para comunidades rurais. Por possuir efeito aglutinante, o lodo contribui para a redução da poeira em estradas vicinais, melhorando as condições de tráfego e a qualidade de vida de moradores locais.
A iniciativa também se alinha à estratégia de economia circular da empresa, ao dar novo destino a um subproduto industrial. O projeto, inclusive, foi reconhecido com o Prêmio ABTCP 2022, na categoria Inovação e Sustentabilidade.
“Destinamos os resíduos gerados em nossas operações com responsabilidade, sempre respeitando todas as exigências legais. Nosso objetivo é ampliar a circularidade desses materiais, permitindo que possam ser utilizados em outras cadeias produtivas. Seguimos buscando soluções de destinação e continuaremos investindo no desenvolvimento de alternativas cada vez mais sustentáveis.”, finaliza Marina.
