Dormir bem é fundamental para a saúde física e mental, mas ainda é negligenciado na rotina de muitos brasileiros. Em meio ao uso excessivo de telas e à pressão por produtividade, o sono tem perdido espaço, impactando diretamente o humor, a concentração e a imunidade.
Para a neurocientista Carol Garrafa, CEO da Santé, o problema vai além da rotina e envolve uma questão cultural. “Vivemos em uma sociedade que valoriza quem dorme pouco e produz muito. Mas a ciência mostra exatamente o contrário: sono de qualidade é pré requisito para performance, tomada de decisão e estabilidade emocional”, afirma.
Segundo a especialista, o sono é um processo ativo e fundamental para o funcionamento do cérebro. “O sono não é um intervalo passivo. É um momento onde a parte consciente descansa, mas no inconsciente há intensa atividade cerebral, responsável por integrar memórias, regular emoções e restaurar a energia mental e corporal”, explica.
Por que o sono é tão importante
Durante o descanso, o cérebro consolida memórias, organiza aprendizados e regula emoções. Além disso, há um processo de limpeza metabólica que elimina resíduos acumulados ao longo do dia.
Sem esse processo, o organismo pode sofrer impactos a longo prazo. “A privação crônica de sono está associada a maior risco de demência, pior desempenho cognitivo e envelhecimento cerebral acelerado”, destaca a especialista.
Quantidade e qualidade fazem diferença
A recomendação geral para adultos é de sete a nove horas de sono por noite. No entanto, a qualidade do descanso é tão importante quanto a duração. “Não é apenas quantidade, é também qualidade. Dormir oito horas fragmentadas não gera o mesmo benefício que seis horas de sono contínuo e profundo”, alerta
Hábitos que prejudicam o sono
Alguns comportamentos comuns podem comprometer o descanso. Entre eles estão:
Uso de telas antes de dormir
Excesso de estímulos mentais à noite
Rotina irregular de horários
Consumo de estimulantes no período noturno
Além disso, a luz azul emitida por dispositivos eletrônicos interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono.
Sono afeta humor, peso e produtividade
Dormir mal impacta diretamente a saúde mental e o desempenho diário. A falta de descanso adequado aumenta o risco de ansiedade, depressão e irritabilidade.
Além disso, o sono influencia o controle do apetite. “Quando dormimos mal, os níveis de leptina caem e os de grelina aumentam, o que leva a maior consumo de calorias”, explica a neurocientista. Outro ponto importante é a produtividade. “Estudar virando a noite é, geralmente, ineficiente. O aprendizado se fortalece quando há descanso adequado”, afirma.
Como melhorar a qualidade do sono
Especialistas recomendam mudanças simples na rotina para melhorar o descanso:
Manter horários regulares para dormir e acordar
Reduzir o uso de telas antes de dormir
Criar um ambiente escuro e confortável
Evitar estimulantes à noite
Adotar hábitos relaxantes, como banho quente
Além disso, cochilos curtos durante o dia podem ajudar, desde que não ultrapassem 30 minutos. “Pequenos hábitos diários moldam a arquitetura do sono. Dormir bem exige estratégia e intencionalidade”, conclui a especialista.
