A rotina acelerada das famílias e a busca por praticidade na alimentação têm impulsionado o avanço da obesidade infantil. Produtos ultraprocessados, excesso de tempo em telas e redução das atividades físicas formam um cenário preocupante para a saúde das crianças desde os primeiros anos de vida.
De fácil acesso e consumo rápido, esses alimentos costumam ser ricos em açúcares, gorduras e sódio, além de apresentarem baixo valor nutricional. O resultado pode ir além do ganho de peso, atingindo o desenvolvimento físico e emocional na infância.
A professora de Pediatria da Afya Bragança, Kíssila Ferraro, explica que o problema envolve múltiplos fatores. “A obesidade infantil é uma doença multifatorial, mas o consumo de alimentos ultraprocessados tem um papel central nesse cenário. Eles são nutricionalmente desequilibrados e podem causar desde déficits nutricionais até o aumento do risco de doenças crônicas”, afirma.
Dados do UNICEF divulgados em 2025 mostram que a obesidade se tornou a forma mais prevalente de má nutrição no mundo, atingindo 1 em cada 10 crianças e adolescentes em idade escolar, o equivalente a cerca de 188 milhões de pessoas.
No Pará, os números também chamam atenção. Informações da Sespa apontam cerca de 50 mil crianças com obesidade no estado. Em 2022, foram mais de 22 mil casos em menores de 5 anos e quase 37 mil entre 5 e 10 anos. Em 2023, os índices seguiram elevados, com mais de 20 mil registros na primeira faixa etária e 30 mil na segunda.
A endocrinologista e professora Alana Ferreira de Oliveira, destaca que a prevenção começa cedo. “A gente sempre fala: descascar mais e desembalar menos. A criança come o que vê. Se a família consome alimentos naturais, ela tende a seguir esse padrão”, orienta.
Especialistas reforçam que hábitos saudáveis dependem do ambiente familiar, escolar e de políticas públicas. Alimentação equilibrada, momentos à mesa, incentivo ao movimento e controle do tempo de tela estão entre as principais medidas para conter o avanço da obesidade infantil.
