A família da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, ainda aguarda respostas 45 dias após a morte da jovem, ocorrida depois de complicações no período pós-operatório em um hospital particular de Belém.
Os familiares acompanham uma denúncia apresentada ao Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) contra quatro médicos envolvidos no atendimento. Também aguardam uma manifestação do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) sobre a possibilidade de oferecimento de denúncia criminal. O caso tramita sob segredo de justiça.
A investigação da Polícia Civil do Pará apontou contradições nos depoimentos dos profissionais e analisou documentos, prontuário médico, laudos, depoimentos de testemunhas e registros do atendimento.
Ao final do inquérito, quatro médicos foram indiciados. O cirurgião André Melo foi indiciado por homicídio culposo majorado e falsidade ideológica. O anestesiologista César Collyer e o médico Marcelo Antony Dantas foram indiciados por homicídio culposo majorado. Já a médica Aline Kzam foi indiciada por homicídio culposo.
A irmã de Giovanna, a médica Ana Caroline Coelho, afirmou que a família continua enfrentando o luto e busca esclarecimentos sobre o que aconteceu.
“Segue tudo muito difícil, não conseguimos nos acostumar com a falta dela. A família ainda está estarrecida, com um luto muito grande, esperando respostas”, declarou.
Família aguarda processos
Segundo a família, ainda não há prazo informado pelo CRM-PA para a análise da denúncia. Entre os pedidos apresentados está o afastamento cautelar do cirurgião André Melo do exercício da medicina.
Os familiares também afirmam que pretendem ingressar com medidas administrativas contra o hospital e ações na esfera cível contra os médicos envolvidos.
O advogado Daniel Gualberto informou que aguarda o posicionamento do MPPA para saber se haverá denúncia, qual será o enquadramento criminal e se o Ministério Público concordará com a tipificação apresentada pela Polícia Civil.
No CRM-PA, o procedimento pode avançar para um processo ético-profissional, que poderá resultar em sanções previstas na legislação da categoria.
CRM-PA se manifesta
Em nota, o CRM-PA informou que o procedimento segue o trâmite regular, respeitando o devido processo legal e as garantias previstas na legislação.
O Conselho ressaltou que o indiciamento realizado pela Polícia Civil e a apuração administrativa são procedimentos independentes. Segundo o órgão, ainda são aguardados documentos oficiais necessários para a conclusão da sindicância.
O CRM-PA também destacou que procedimentos de natureza ético-profissional tramitam sob sigilo.
Defesa contesta responsabilização
O escritório Sá Souza Advogados, responsável pela defesa do médico Marcelo Antony Dantas, informou que o procedimento em andamento no CRM-PA possui caráter sigiloso e que diversas diligências ainda estão sendo realizadas para a apuração técnica do caso. Por esse motivo, a defesa afirmou que não poderia se manifestar publicamente neste momento.
Já a defesa do anestesiologista César Collyer Carvalho informou ter pedido ao MPPA o arquivamento do inquérito policial. Segundo os advogados, não teria sido demonstrado nexo causal entre a atuação do profissional e a morte da empresária.
A defesa também sustenta que a deterioração clínica ocorreu horas após a alta anestésica e que o médico não teria sido acionado durante a madrugada. Os advogados afirmam ainda que César participou das medidas de emergência quando tomou conhecimento da gravidade do quadro.
As defesas do cirurgião André Melo e da médica Aline Kzam foram procuradas, mas não haviam se manifestado até a publicação das informações.
Fonte: O Liberal.com
