Silencioso para muitas mulheres, o desconforto íntimo ainda costuma ser tratado como algo passageiro ou constrangedor de comentar. No entanto, quando a dor aparece de forma frequente, o sintoma pode sinalizar alterações importantes que merecem investigação médica.
Sentir dor durante a relação sexual não deve ser considerado normal. O sintoma, conhecido como dispareunia, pode ocorrer antes, durante ou após o ato sexual e está associado a diferentes causas físicas e hormonais, além de impactos emocionais.
Segundo a ginecologista Ana Paula Fonseca, o problema ainda é pouco discutido por muitas pacientes, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. “Muitas mulheres sentem vergonha de falar sobre esse assunto ou acreditam que o desconforto faz parte da relação sexual. Mas a dor nunca deve ser considerada normal. Quando ela acontece de forma recorrente, é fundamental procurar avaliação médica”, explica.
Principais causas:
A dor íntima pode ter diferentes origens. Entre as causas mais comuns estão infecções ginecológicas, alterações hormonais e doenças inflamatórias.
De acordo com a especialista, fatores emocionais também podem influenciar, mas é essencial descartar causas clínicas. “Existem situações em que a dor está relacionada a infecções, inflamações ou doenças como a Endometriose. Também pode ocorrer em fases como pós-parto ou menopausa, quando há maior ressecamento vaginal”, afirma.
Outras condições associadas incluem:
- infecções vaginais ou urinárias
- vaginismo
- ressecamento vaginal
- alterações hormonais
- inflamações pélvicas
- cicatrizes de cirurgias ou parto
A dor pode ser superficial, na entrada da vagina, ou profunda, durante a penetração.
Ajuda médica:
Embora episódios isolados possam acontecer, a persistência do sintoma é um sinal de alerta. “Se a dor acontece com frequência, piora com o tempo ou interfere na vida íntima da mulher, é essencial procurar um ginecologista. O diagnóstico correto permite identificar a causa e iniciar o tratamento adequado”, orienta a médica.
Na consulta, o profissional avalia o histórico clínico, sintomas associados e pode solicitar exames ginecológicos ou de imagem.
Tratamento varia de acordo com diagnóstico:
O tratamento depende da causa identificada e pode incluir medicamentos, terapias hormonais, fisioterapia pélvica ou acompanhamento multidisciplinar.
Para Ana Paula Fonseca, falar sobre saúde íntima com naturalidade é fundamental para o bem-estar feminino. “A saúde sexual faz parte da saúde da mulher. Quando existe dor ou desconforto, buscar orientação médica é essencial para entender o que está acontecendo e recuperar a qualidade de vida”, conclui.
