Crédito consciente ajuda a evitar endividamento e reduzir inadimplência, apontam especialistas

Planejamento financeiro e educação sobre juros ajudam consumidores a usar crédito com mais segurança.

Matheus Freire
Especialistas destacam que o uso planejado do crédito ajuda a reduzir o risco de endividamento - Foto: Divulgação/Ascom Sicredi

Em um cenário de orçamento apertado e aumento do custo de vida, o uso do crédito pode representar tanto uma solução financeira quanto um risco para o consumidor. Especialistas apontam que o chamado crédito consciente tem ganhado destaque como estratégia para evitar o endividamento excessivo e reduzir os índices de inadimplência no país.

Dados do Banco Central do Brasil indicam que a inadimplência no sistema financeiro chegou a 5,5 por cento em janeiro, o maior nível registrado desde 2017.

De acordo com especialistas em finanças, o crédito consciente é aquele utilizado de forma planejada, considerando a realidade financeira de cada pessoa. Nesse modelo, o empréstimo deixa de ser visto como solução imediata para qualquer necessidade e passa a ser usado para objetivos específicos, como investir em educação, melhorar a moradia ou reorganizar dívidas.

“Quando o consumidor entende quanto pode pagar, avalia o impacto da parcela no orçamento e contrata o crédito com clareza sobre prazos e custos, o risco de endividamento excessivo diminui muito. O problema não é o crédito em si, mas o uso sem planejamento ou para cobrir despesas recorrentes do dia a dia, o que costuma gerar um ciclo difícil de sair”, explica Flávio Silva, gerente de negócios de uma cooperativa de crédito.

Planejamento financeiro ajuda a evitar dívidas

Especialistas recomendam que o valor total das dívidas não ultrapasse uma parcela segura da renda mensal. Dessa forma, o consumidor consegue manter margem para imprevistos e preservar despesas essenciais, como alimentação, moradia e saúde.

Antes de contratar qualquer tipo de crédito, alguns pontos devem ser analisados com atenção. O primeiro passo é avaliar se a contratação é realmente necessária ou se a despesa pode ser adiada.

Além disso, é importante verificar se a parcela cabe no orçamento mensal e comparar taxas de juros, prazos e o custo total da operação. Em muitos casos, parcelas aparentemente menores podem resultar em contratos mais longos e com custo final mais elevado.

Outro cuidado importante é analisar o nível de comprometimento da renda com outras dívidas. A sobreposição de financiamentos pode dificultar o pagamento das parcelas e levar ao atraso das obrigações financeiras.

Educação financeira fortalece decisões de consumo

Entre os erros mais comuns cometidos por consumidores que buscam empréstimos estão a contratação por impulso, a falta de leitura detalhada do contrato e o acúmulo de diferentes financiamentos ao mesmo tempo.

Nesse contexto, especialistas destacam que a educação financeira é uma ferramenta essencial para reduzir riscos e melhorar a relação das pessoas com o dinheiro.

“A educação financeira ajuda as pessoas a compreenderem melhor como funciona o dinheiro, os juros, os prazos e os impactos de longo prazo de uma decisão tomada hoje. Ela desenvolve autonomia e senso crítico, permitindo que o consumidor faça perguntas, compare opções e não aceite propostas sem entender completamente. Quando a pessoa tem mais conhecimento, ela deixa de ver o crédito apenas como acesso imediato ao consumo e passa a enxergá lo como um compromisso futuro. Isso resulta em escolhas mais equilibradas, menos impulsivas e mais alinhadas com objetivos de vida e segurança financeira”, afirma Flávio.

Iniciativas de orientação também fazem parte das ações de instituições do sistema cooperativo financeiro. No Sicredi, por exemplo, programas educativos oferecem cursos, jogos e conteúdos gratuitos voltados à educação financeira para diferentes faixas etárias.

“Entender como funciona a nossa relação com o dinheiro é o primeiro passo para iniciar uma construção de hábitos saudáveis em nossa vida financeira. Para dar esse primeiro passo nós ajudamos as pessoas através do programa Cooperação na Ponta do Lápis, em que de forma presencial ou online oferecemos cursos e diversos materiais gratuitos para diversas idades. Inclusive um dos cursos oferecidos é sobre como ter acesso ao crédito de forma consciente”, explica Eber Ostemberg, consultor de Sustentabilidade e Cooperativismo da instituição.

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