O clima da Copa do Mundo naturalmente convida às confraternizações, e os brindes durante as partidas se tornam quase inevitáveis para muitos torcedores. No entanto, a empolgação com os jogos pode mascarar os excessos no consumo de bebidas alcoólicas, trazendo consequências imediatas e a longo prazo para o organismo.
O maior impacto não se restringe a um episódio isolado de exagero, mas sim ao efeito cumulativo ao longo das semanas de competição. A combinação de álcool, petiscos ultraprocessados e o comportamento sedentário em frente à TV acende um alerta para os cuidados com a saúde.
O impacto invisível no organismo
A tolerância ao álcool varia de pessoa para pessoa, e desconsiderar essas diferenças é um dos erros mais comuns nas festas. Além dos efeitos tradicionais da substância, há o fator calórico envolvido nos momentos de descontração. “Um grande erro é as pessoas não se darem conta, na empolgação da festa, de que o álcool não tem o mesmo impacto no organismo de todos os indivíduos e que também fornece calorias, que aumentam em drinques e coquetéis, pela adição de açúcar e outros ingredientes. Além disso, o álcool não oferece nutrientes essenciais”, observa a Profa. Dra. Isolda Prado, médica nutróloga e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia).
A especialista adverte que os momentos de euforia coletiva elevam o risco de o indivíduo perder o controle do consumo. “Em momentos de confraternização, há o risco de perder os limites do consumo. Mas, se a ideia é se divertir sem atrapalhar a festa de ninguém, a moderação continua sendo a principal recomendação para quem deseja aproveitar os jogos sem comprometer a saúde”, aponta a médica.
Mitos sobre o consumo seguro
Do ponto de vista médico, não existe um limite padrão ou uma quantidade de álcool considerada totalmente segura ou benéfica para o corpo humano. Cada organismo processa a substância de forma única, exigindo responsabilidade individual de quem opta por beber.
Outro ponto crítico é o ganho de peso associado às comemorações. O álcool sozinho fornece cerca de 7 kcal por grama — quase o dobro do valor calórico de carboidratos e proteínas. Esse índice dispara quando associado a xaropes, açúcar e aos tradicionais petiscos industriais ricos em sódio.
Estratégias de redução de danos
Para quem não vai abrir mão da bebida durante as transmissões, pequenos hábitos ajudam a blindar o corpo contra o mal-estar e os riscos metabólicos:
- Água em primeiro lugar: A regra de ouro é intercalar cada dose de bebida alcoólica com um copo de água mineral. O álcool desidrata, e a reposição de líquidos mitiga os efeitos da ressaca.
- Alimentação prévia: Ingerir uma refeição equilibrada antes do início das partidas desacelera a absorção do álcool pelo estômago.
- A escolha dos petiscos: Substituir os salgadinhos ultraprocessados por opções ricas em proteínas e fibras ajuda a manter a saciedade e diminui o impacto calórico.
- Atenção ao ritmo: Evitar o consumo rápido, impulsionado pelo nervosismo ou lances decisivos do jogo.
O monitoramento de grupos de risco também deve ser rigoroso. Gestantes, menores de idade, idosos e pessoas com condições hepáticas ou sob uso de medicamentos específicos devem cortar totalmente o consumo. “O torcedor não precisa deixar de comemorar. O segredo está em estabelecer limites, fazer escolhas mais conscientes e lembrar que a diversão da Copa não depende da quantidade de álcool consumida, mas do contexto como um todo e da vibração. Hidratação adequada, alimentação equilibrada e moderação ajudam a reduzir os impactos do álcool no organismo”, finaliza a Dra. Isolda Prado.
