A tradicional empresa de ônibus Monte Cristo, uma das mais antigas do transporte público de Belém, encerrou oficialmente as operações após décadas atuando na capital paraense. A situação reacendeu discussões sobre a precariedade do sistema de transporte coletivo e gerou preocupação entre moradores de bairros atendidos pelas linhas da empresa, principalmente na Pedreira.
A informação passou a circular nesta segunda-feira (25), após publicações feitas por páginas voltadas à mobilidade urbana e transporte público. Poucas horas depois, uma nota assinada pela defesa judicial da empresa começou a repercutir nas redes sociais, trazendo esclarecimentos sobre a atual situação da viação.
No comunicado, a Auto Viação Monte Cristo afirma que a empresa não teria encerrado definitivamente as atividades, mas estaria em processo de recuperação judicial. A defesa também informa que a Justiça determinou o retorno imediato de parte da frota para circulação.
Segundo a nota, uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região considerou injustificada a paralisação total das atividades durante movimento grevista e determinou que pelo menos 50% da frota voltasse a operar para garantir atendimento à população.
O documento também destaca que a empresa enfrenta dificuldades financeiras, mas afirma que segue buscando reorganização para manter os serviços e preservar empregos.
Apesar do posicionamento oficial, moradores relatam que a crise da empresa já vinha sendo percebida há anos. Entre as principais reclamações estavam ônibus lotados, atrasos constantes, falta de manutenção, veículos sucateados e paralisações causadas por atrasos salariais.
Linhas tradicionais como Pedreira Lomas, Pedreira Nazaré e Sacramenta Humaitá marcaram gerações de usuários do transporte público em Belém. Nos últimos anos, no entanto, passageiros passaram a conviver com redução de frota e instabilidade frequente no serviço.
Nas redes sociais, moradores lamentaram o cenário enfrentado pelo transporte coletivo da capital. “Muito triste isso, várias empresas fechando”, comentou uma usuária após a repercussão do caso.
A situação também reacende cobranças por mudanças estruturais no sistema de transporte público da cidade, especialmente em bairros populosos como a Pedreira, onde milhares de passageiros dependem diariamente das linhas de ônibus para deslocamento.
Até o momento, não houve confirmação oficial sobre quais empresas poderão assumir integralmente as linhas operadas pela Monte Cristo.
