Exposição traça um panorama de 60 anos de artes visuais paraense no Centro Cultura Banco da Amazônia

Redação
Com curadoria de Vânia Leal e obras da Coleção Eduardo Vasconcelos, a exposição segue aberta ao público até o dia 14 de junho, com entrada gratuita. Foto: Divulgação

Um passeio pelos últimos sessenta anos das artes visuais paraenses. Esta é a premissa da exposição “Trajetórias – Arte Contemporânea Paraense”, inaugurada nesta quinta-feira (09), no Centro Cultural Banco da Amazônia. A mostra reúne cerca de 160 obras de mais de 130 artistas, traçando um panorama amplo e sensível da produção artística do Pará desde 1959 até a atualidade.

Com curadoria de Vânia Leal e obras da Coleção Eduardo Vasconcelos, a exposição segue aberta ao público até o dia 14 de junho, com entrada gratuita. A realização é do Banco da Amazônia e do Governo Federal, sendo também uma das mostras selecionadas no primeiro Edital de Ocupação do espaço cultural, que celebrou seis meses de funcionamento na mesma data da inauguração, consolidando-se como um importante espaço de promoção e difusão da cultura paraense.

Para a gerente de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia, Ruth Helena Lima, iniciativas como essa fortalecem o papel da instituição como agente impulsionador da cultura regional, valorizando a diversidade amazônica em suas múltiplas dimensões. “Essa é a sexta mostra que trazemos ao Centro Cultural Banco da Amazônia e, ao abrir uma coleção particular ao grande público, ela dialoga perfeitamente com o próprio propósito do Espaço, que é democratizar a arte e a cultura paraense”, completa.

Já para Vânia Leal, curadora da mostra, a exposição representa mais do que um recorte histórico, trata-se, também, de um gesto político. Ao reunir artistas de diferentes gerações, a mostra propõe revisões e ampliações de narrativas, reinserindo nomes que, ao longo do tempo, foram deslocados ou silenciados no circuito artístico.

“A mostra permite essa construção de diálogos, de narrativas, tanto entre os artistas, junto ao público e também sobre a própria região. As técnicas presentes nas obras e mesmo suas multicores desmistificam a própria imagem que se tem sobre a região, de muito verde, mas mostra que ela é também azul, amarela, vermelha, que é diversa”, ressalta Vânia.

Diferente de uma linha do tempo tradicional, “Trajetórias” se constrói como um campo de encontros. Obras dialogam entre si, cruzando pintura, fotografia, instalação, objeto e performance. O resultado é um percurso que evidencia a potência estética e simbólica da Amazônia, marcada por múltiplas identidades, hibridismos culturais e relações profundas com o território.

“Essa exposição busca fazer um mapeamento da arte paraense. Nesse processo, a intenção é mostrar as diversas gerações de artistas e como essas obras conversam entre si, assim como causam estranhamento. A partir do momento que traz esse recorte, é possível mostrar todo um panorama do que é a arte no Pará em mais de 60 anos”, explica Eduardo Vasconcelos, proprietário da coleção.

Um dos grandes diferenciais da mostra é a abertura ao público de um acervo privado robusto. A coleção de Eduardo Vasconcelos, que reúne cerca de 900 obras, ganha novos significados ao ocupar o espaço público. Para Vasconcelos, a exposição reafirma a importância de preservar e difundir a produção artística paraense, garantindo que ela alcance novas gerações.

A mostra

A exposição está organizada em três eixos curatoriais — Raízes (1959–1979), Rupturas (1980–1999) e Confluências (2000–2026), que ajudam a guiar o visitante por diferentes momentos da produção artística local. Entre os destaques, estão artistas que ajudaram a consolidar a cena paraense, como Ruy Meira e Valdir Sarubbi, além de nomes reconhecidos nacionalmente como Emmanuel Nassar, Luiz Braga, Berna Reale e Marcone Moreira.

Além da exposição, o projeto inclui uma série de ações educativas, como visitas mediadas, oficinas, rodas de conversa e conteúdos digitais, reforçando o compromisso com a democratização do acesso à cultura. Também está previsto o lançamento de um livro com a catalogação das obras expostas, que será distribuído gratuitamente ao público.

Com visitação gratuita e programação diversificada, a exposição se consolida como uma oportunidade imperdível para o público mergulhar na riqueza e na complexidade da arte produzida na região.

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