Definir a rica e diversa música brasileira é tarefa difícil. Mas se ‘alegre’ for uma das características mais marcantes, a irreverência, o talento e o sorriso de Jair Rodrigues ajudaram a construir essa ideia. A vida e a carreira de um dos mais celebrados cantores do país são contadas no documentário ‘Jair Rodrigues: Deixa que Digam’, exibido no Curta!.
Com direção de Rubens Rewald, o filme mescla imagens de arquivo familiar – uma delas mostra o músico tirando som com o Rei Pelé -, de gravações e bastidores, e de depoimentos do irmão Jairo Rodrigues, da viúva Claudine Rodrigues, dos filhos Jair e Luciana, de músicos parceiros, produtores e amigos. Sempre permeados por sorrisos, os relatos exaltam a presença de espírito e o talento de Jair Rodrigues, que se destacou por navegar entre diversos gêneros da música, como samba, sertanejo, MPB e até o rap, considerado um dos percursores.
“Se nós fôssemos uma sociedade civilizada, o Jair teria cursos na ECA sobra a obra dele, seus discos seriam sistematizados, seus arranjos seriam padronizados. Sua vocalidade e corporalidade seriam estudadas como um modelo de performance”, afirma o historiador e artista Salloma Salomão.
No documentário, somos primeiros apresentados às raízes de Jair. De engraxate à alfaiate, se inicia na música no coral da igreja. De lá, passa a cantar em boates, levado pelo irmão. Seu vozeirão e seu carisma chamam a atenção. Conquista o país em apresentações populares de shows de calouro, marcado pela premiação como sambista revelação do ano de 1963, concedido pela rádio Roquette Pinto.
Célebre por canções que divertiram, emocionaram e explicaram o Brasil, o documentário traz bastidores de composições como ‘Disparada’, ‘Majestade O Sabiá’, ‘Festa Para Um Rei Negro’ e ‘Deixa Isso Pra lá’.
“Eu quando comecei a cantar profissionalmente, vivia com uma vontade danada de fazer sucesso. Até que esse sucesso apareceu: deixe que digam, que pensem, que falem. Por causa dessa música é que eu existo”, diz Jair, em entrevista recuperada.
Com o sucesso, vieram as cobranças. Num período intenso de Ditadura Militar, Guerra Fria e movimentos sociais pujantes, foi acusado de estar alheio às questões raciais e políticas. Sua obra, sua influência e sua imagem, contudo, construíram um personagem idolatrado e importante para a cultura nacional.
“Eu acredito que todo ícone negro é importante para o movimento negro brasileiro e com certeza Jair teve grande importância. Lembro dele me mostrando fotos no Aristocrata Clube, e isso é história negra em São Paulo. Ele participou, ele estava lá”, destaca o rapper e amigo Rappin’ Hood.
Suas canções extrapolam o Brasil, e Jair leva para o mundo suas apresentações com danças, interação com o público e bom humor. Elas eram uma festa e, além dos ouvidos afiados para os timbres, o filme mostra como ele marcou época com sua criatividade.
“Ele foi fazer um show com orquestra, tudo mais, uma festa gigantesca com buffet. Na hora que ele foi entrar, com sapato novo e piso escorregadio, escorregou e foi parar debaixo da mesa do presidente. Mas era rápido, não teve dúvida e começou, com a banda que ele tocava há muito tempo, a cantar. O cara achou que fosse a entrada do show”, conta e se diverte a filha Luciana Mello.
“Jair Rodrigues: Deixa Que Digam” também pode ser assistido no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial da plataforma (CurtaOn.com.br). A exibição é no dia temático Segundas da Música, 12 de janeiro, às 22h.
Segundas da Música – 12/01
22h – “Jair Rodrigues – Deixa que Digam” (Documentário)
A história de Jair Rodrigues, um dos mais conhecidos e influentes cantores brasileiros. Com um sorriso franco e versatilidade sem igual, cantou samba, MPB, rap, sertanejo e fez história revolucionando os palcos com apresentações anárquicas e irreverentes. A figura de Jair faz emergir um Brasil presente no imaginário popular, um país marcado pela simplicidade, alegria e otimismo. Direção: Rubens Rewald Duração: 100 min Classificação: 12 anos Horários alternativos: dia 13, às 02h e às 16h; dia 14, às 10h; dia 17, às 21h30; dia 18, às 16h; dia 19, às 01h
