Como prevenir acidentes com animais peçonhentos no inverno amazônico

Chuvas intensas aumentam a presença de serpentes, escorpiões e aranhas perto das casas; especialista explica como reduzir riscos e o que fazer em caso de picada

Matheus Freire
Durante o inverno amazônico, aranhas, escorpiões e serpentes deixam áreas alagadas e se aproximam das residências; especialista orienta sobre prevenção e cuidados para evitar acidentes - Foto: Divulgação/Freepik

Com a chegada do período chuvoso no Baixo Amazonas, o ambiente passa por mudanças significativas. A elevação do nível dos rios e a inundação de tocas e igarapés fazem com que animais peçonhentos deixem seus habitats naturais em busca de abrigo, aproximando-se das áreas urbanas.

Segundo o biólogo, herpetólogo e gestor do ZooUNAMA, Hipócrates Chalkidis, esse deslocamento é uma resposta direta às condições ambientais impostas pelo inverno amazônico. “Serpentes, escorpiões e aranhas buscam terrenos mais altos, áreas secas e locais com oferta de alimentos e esconderijos. Eles encontram isso próximo às casas e em quintais com entulhos ou criação de animais”, destaca.

Identificação visual não é segura

Uma dúvida comum é tentar diferenciar serpentes peçonhentas das não peçonhentas apenas pela aparência. O especialista alerta que esse método não é confiável. “Cor e formato da cabeça podem enganar. Há espécies não peçonhentas que imitam as peçonhentas. Portanto, considere qualquer uma como potencialmente perigosa e mantenha distância”, orienta.

Atenção redobrada dentro das residências

Dentro das casas, os animais costumam se esconder em locais escuros, secos e pouco movimentados. Em Santarém, são frequentemente encontrados em sapatos, ralos, atrás de móveis, forros e entulhos.

Em áreas de várzea, o risco é ainda maior. Palafitas, roupas guardadas, redes, madeira empilhada e estruturas próximas a galinheiros exigem atenção constante dos moradores.

O perigo dos mitos caseiros

Práticas populares como uso de querosene, fumo, cortes ou torniquetes são altamente perigosas e devem ser evitadas. “O torniquete pode causar necrose e amputação. E cortar ou sugar o veneno não funciona e piora o quadro. O tempo perdido tentando ‘tratar em casa’ agrava o envenenamento. A única conduta eficaz é ir imediatamente ao serviço de saúde”, reforça Chalkidis.

Em caso de picada, a orientação é manter a calma, lavar o local apenas com água e sabão e manter o membro afetado em repouso até a chegada ao hospital. Em Santarém, o Hospital Municipal é referência para atendimento com soro antiofídico.

“Limpeza biológica” reduz riscos

Neste contexto, para diminuir a presença desses animais, o especialista recomenda cuidados simples no dia a dia, como manter quintais limpos, retirar entulhos, controlar roedores e sacudir roupas e sapatos antes de usá-los. “Menos abrigo e menos alimento resultam em menos animais”, pontua.

O animal não ataca, ele se defende

Ao se deparar com um animal peçonhento, a orientação é clara: não tentar capturar ou matar. A atitude aumenta o risco de acidentes. O correto é acionar o Corpo de Bombeiros ou órgãos ambientais.

Por fim, apesar do medo que provocam, essas espécies desempenham papel fundamental no equilíbrio ambiental. “Sem esses predadores, teríamos explosão de pragas e mais doenças. Eles não são vilões, são reguladores naturais da floresta”, finaliza.

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