No Dia Internacional da Mulher, a participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas volta ao centro do debate. Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, especialistas afirmam que ainda é necessário ampliar os incentivos para que meninas e jovens se interessem por carreiras ligadas à ciência, engenharia e tecnologia.
Para Arielly Pereira, docente da Estácio e doutoranda em Engenharia Mecânica, o interesse pela ciência começou ainda na infância, influenciado pelo ambiente familiar. “Desde criança sempre amei ciências e pesquisa. Tenho um tio que é doutor em química e fez carreira na pesquisa, ensino e extensão. Meus outros tios também atuam nas exatas e sempre me motivaram a estudar ciências”, conta.
O desejo de seguir carreira acadêmica também surgiu cedo. Segundo a pesquisadora, a decisão de se tornar cientista foi tomada ainda na infância, inspirada pelas histórias e experiências compartilhadas pelos familiares.
Hoje, além de cursar doutorado em Engenharia Mecânica, Arielly coordena três cursos de engenharia. Ela concilia a rotina entre ensino, pesquisa, gestão acadêmica e maternidade. “É um grande desafio, mas com planejamento conseguimos organizar as atividades. Além disso, tenho a maternidade, com dois filhos lindos, que também fazem parte dessa jornada”, afirma.
Desigualdade de gênero ainda marca áreas científicas
Apesar dos avanços, a desigualdade de gênero ainda é realidade no campo científico. Dados da UNESCO indicam que as mulheres representam cerca de 30% dos cientistas no mundo.
No Brasil, o cenário apresenta um pouco mais de equilíbrio. Aproximadamente 40% dos pesquisadores são mulheres, embora a presença feminina ainda seja menor em áreas como engenharia e tecnologia.
Para Arielly, ampliar a representatividade é fundamental para incentivar novas gerações. “Já temos uma parcela significativa de mulheres nas ciências, mas ainda precisamos avançar muito. A sociedade ainda vê essas áreas como cursos masculinos e, muitas vezes, precisamos provar nossa capacidade constantemente”, avalia.
Segundo ela, ver mulheres ocupando espaços acadêmicos e científicos ajuda a inspirar outras jovens a seguir o mesmo caminho. “Precisamos desenvolver nas crianças o gosto pela ciência e evitar criar barreiras dizendo que isso não é coisa de mulher. Quanto mais nos sentimos representadas, mais acreditamos que podemos ir além. Isso motiva outras mulheres a buscar espaço na ciência e na engenharia”, explica.
Incentivo desde a educação básica
A docente também destaca que a diversidade no ambiente acadêmico contribui para a formação dos estudantes e ajuda a quebrar estereótipos sobre profissões científicas.
Para ampliar a participação feminina nessas áreas, Arielly defende investimentos na educação básica, especialmente no ensino de matemática e ciências. “Muitas crianças têm dificuldade nessas disciplinas e não são estimuladas a seguir por esses caminhos. Precisamos trabalhar desde a base para formar meninas fortes e seguras para escolher as carreiras que desejarem. É essencial que não desistam de seus talentos e sonhos e que pensem sempre na contribuição que podem oferecer para a sociedade por meio de novas tecnologias, pesquisas e soluções para os desafios do mundo”, conclui.
