A operadora de planos de saúde Hapvida encerrou 2025 com crescimento de receita e avanços em sua agenda de transformação operacional. Ao mesmo tempo, o desempenho do quarto trimestre refletiu desafios de curto prazo, principalmente relacionados à sinistralidade e à dinâmica comercial em regiões mais competitivas.
De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (19), a companhia registrou receita líquida de R$ 30,9 bilhões no acumulado do ano, alta de 6,6% em relação a 2024. No quarto trimestre, a receita atingiu R$ 7,9 bilhões, com crescimento de 5,9% na comparação anual. Já o EBITDA ajustado foi de R$ 3,3 bilhões em 2025, enquanto a margem EBITDA ficou em 9,0% no último trimestre.
Apesar do avanço, os resultados foram impactados por fatores operacionais. A sinistralidade caixa alcançou 75,5% no quarto trimestre, pressionada pelo aumento da utilização dos serviços, pela maturação de novas unidades e por efeitos sazonais. “Apesar dos resultados pressionados, avançamos de forma consistente na qualidade assistencial. Agora, nossa prioridade é acelerar correções com disciplina e foco na execução”, afirmou Jorge Pinheiro, CEO da companhia.
Ainda assim, a alavancagem foi mantida sob controle, encerrando o período em 1,3 vez o EBITDA. Além disso, a empresa registrou redução de 42,6% nas Notificações de Intermediação Preliminar, indicador relevante para a experiência do cliente.
Expansão da rede e foco no beneficiário
Ao longo de 2025, a operadora ampliou sua rede própria, que passou a contar com 832 unidades, entre hospitais, clínicas e estruturas de diagnóstico. Foram adicionados cerca de 900 leitos e 26 unidades ambulatoriais, fortalecendo a capacidade de atendimento.
Esse movimento, por outro lado, ainda depende da maturação operacional dessas unidades. Parte dos ganhos de produtividade será percebida nos próximos ciclos, à medida que a ocupação evoluir. “O beneficiário segue no centro das nossas decisões e orienta uma nova fase da companhia, focada em simplificação organizacional e transformação tecnológica”, destacou Luccas Adib, vice presidente de Finanças e Tecnologia.
No segmento odontológico, a base de clientes apresentou crescimento, atingindo 7,13 milhões de beneficiários, com adição líquida de 23 mil vidas no trimestre. Em contrapartida, houve redução na carteira de saúde, concentrada em regiões mais competitivas.
Transição de liderança e estratégia para 2026
A companhia também passa por um processo de transição na liderança. Luccas Adib foi preparado para assumir o cargo de CEO, enquanto Jorge Pinheiro seguirá no conselho de administração.
Segundo Adib, a estratégia para 2026 está centrada em previsibilidade assistencial, ganho de eficiência e disciplina financeira. “Nosso plano de retomada é direto: melhorar a experiência do cliente, ganhar eficiência operacional e reforçar tecnologia e controles, sempre com qualidade inegociável, austeridade de custos e decisões orientadas por dados”, afirmou.
A empresa também reforçou o compromisso com uma atuação sustentável no mercado. “Em um ambiente competitivo mais acirrado, não vamos entrar em uma guerra de preços que destrói valor”, pontuou o atual CEO.
Cenário competitivo e desafios
O ambiente mais competitivo, especialmente no Sudeste, exigiu ajustes na estratégia comercial. Com isso, a companhia sinaliza um movimento de recalibração do portfólio e dos canais de venda, sem abrir mão da disciplina de preços.
Além disso, o uso de tecnologia e análise de dados foi intensificado para aprimorar protocolos assistenciais e aumentar a eficiência operacional.
Nesse contexto, a operadora inicia 2026 com foco em execução e consistência dos indicadores. A expectativa é de recuperação gradual dos resultados, sustentada por melhorias internas e maior controle dos custos.
