Mesmo com tensões globais, exportações de madeira do Pará avançam no início de 2026

Redação
Apesar do avanço em receita, o volume exportado apresentou queda de 8,15%, o que indica aumento no preço médio da madeira, que chegou a US$ 1.107,92 por tonelada em fevereiro. Foto: Divulgação/Aimex

Mesmo em meio a um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e incertezas econômicas, as exportações de madeira do Pará seguiram em alta no início de 2026. Entre janeiro e fevereiro, o estado registrou crescimento de 87,61% no valor exportado, somando US$ 39,7 milhões.

O resultado ocorre em um contexto de instabilidade global, com conflitos envolvendo os Estados Unidos e o Irã e impactos diretos sobre o mercado internacional, especialmente nos custos de energia e logística. Ainda assim, o setor madeireiro paraense manteve desempenho positivo, impulsionado pela valorização dos produtos no exterior.

Apesar do avanço em receita, o volume exportado apresentou queda de 8,15%, o que indica aumento no preço médio da madeira, que chegou a US$ 1.107,92 por tonelada em fevereiro.

Para o consultor técnico da Aimex, Guilherme Carvalho, o momento é de atenção redobrada, mesmo diante dos bons resultados. “O setor demonstrou resiliência mesmo em um cenário internacional adverso, com conflitos e instabilidade. No entanto, é fundamental acompanhar de perto esses desdobramentos, porque qualquer mudança no ambiente global pode impactar diretamente a demanda e os custos”, avalia.

Demanda externa sustenta crescimento

O principal destaque foi o avanço das exportações para os Estados Unidos, que cresceram 382,88% no período e passaram a concentrar mais de um terço das vendas externas do Pará.

A União Europeia também manteve forte participação, e, juntos, os dois mercados responderam por mais de 80% das exportações paraenses.

Segundo Carvalho, esse desempenho está ligado aos baixos estoques remanescentes do produto madeira nos países importadores e ao aquecimento da economia internacional. “O crescimento da economia internacional levou a um aumento da procura pelo produto madeira e, consequentemente, ao aumento do preço médio dos produtos exportados com destaque para madeira perfilada e serrada, que têm maior participação no mercado internacional”, explica.

Riscos

Apesar do cenário positivo, a própria dinâmica internacional que não impediu o crescimento pode se tornar um fator de pressão nos próximos meses.

O aumento do preço do petróleo, por exemplo, tende a encarecer fretes, energia e insumos industriais, o que pode gerar inflação global e pressionar taxas de juros, com impacto direto no setor da construção civil, um dos principais consumidores de madeira.

“Se houver aumento das taxas de juros em economias importantes, isso pode reduzir o ritmo da construção civil e outros setores que demandam grandes volumes de madeira, consequentemente, a demanda por madeira. Por isso, o setor precisa manter uma estratégia cautelosa”, afirma o consultor técnico da Aimex.

Crescimento

O desempenho do Pará chama atenção também por ocorrer na contramão do cenário nacional, já que as exportações brasileiras de madeira recuaram no mesmo período.

Para Guilherme Carvalho, o momento é positivo, mas exige leitura constante do cenário internacional. “O resultado mostra a força e a competitividade do setor no Pará, mas não elimina os riscos. O acompanhamento contínuo do mercado global será essencial para sustentar esse crescimento ao longo do ano”, conclui.

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