A campanha Março Lilás chama atenção para a prevenção do câncer do colo do útero, uma das doenças que mais afetam a saúde feminina no Brasil. Além disso, a mobilização destaca a importância da vacinação contra o HPV e da realização periódica do exame preventivo, fundamentais para o diagnóstico precoce.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer cervical é o terceiro tipo mais incidente entre mulheres brasileiras, atrás apenas dos tumores de mama e colorretal. Nesse cenário, o país registra cerca de 17 mil novos casos por ano, com aproximadamente 6 mil mortes anuais, segundo estimativas do órgão, ligado ao Ministério da Saúde.
A ginecologista Vitória Cardoso, da Hapvida, explica que a doença está associada, na maioria dos casos, à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano).
“O câncer do colo do útero quase sempre começa por uma infecção persistente pelo HPV. A grande vantagem é que ele pode ser detectado muitos anos antes de se transformar em câncer, através do exame preventivo”, orienta.
Exame simples e alta chance de cura
O principal método de rastreio é o exame Papanicolau, indicado para mulheres entre 25 e 64 anos. Segundo a especialista, trata-se de um procedimento rápido, seguro e praticamente indolor.
“Ele identifica alterações nas células do colo do útero ainda em fase inicial, quando o tratamento é mais simples e a chance de cura ultrapassa 90%”, destaca.
A médica alerta ainda para sintomas que exigem investigação, como sangramento fora do período menstrual, dor durante a relação sexual e corrimento persistente com odor forte.
Vacinação contra HPV
Nesse cenário, a vacinação contra o HPV é outro pilar da prevenção e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, a recomendação do Ministério da Saúde é que meninas e meninos de 9 a 14 anos recebam a imunização.
“A vacina protege contra os principais tipos do vírus que causam o câncer. Quando associamos vacinação e exame preventivo periódico, conseguimos praticamente eliminar o risco da doença”, reforça.
Diante disso, apesar das estratégias disponíveis, uma parcela significativa das mulheres ainda está fora do rastreamento regular, seja por desinformação, receio ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Com isso, o Março Lilás busca justamente ampliar o debate e incentivar a prevenção. “O exame leva poucos minutos, mas pode salvar uma vida”, conclui a médica.
