O médico Cláudio Birolini confirmou, nesta terça-feira (6), que o ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico leve após uma queda registrada durante a madrugada na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde cumpre pena. Segundo o profissional, o quadro é considerado leve, mas o ex-presidente será submetido a exames para avaliação clínica detalhada.
A informação veio a público após relato da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou, por meio das redes sociais, que Bolsonaro teve uma crise de soluços enquanto dormia, perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça em um móvel da cela. De acordo com ela, o atendimento médico teria ocorrido apenas no momento da visita, por se tratar de uma sala especial dentro da unidade da Polícia Federal.
Integrantes da Polícia Federal, ouvidos sob reserva, afirmaram que houve atendimento imediato no local e minimizaram a gravidade do episódio. Ainda assim, Michelle Bolsonaro informou que aguardava esclarecimentos formais sobre os primeiros socorros prestados, o que motivou a presença de um delegado na unidade na manhã desta terça-feira.
Além de Cláudio Birolini, o cardiologista Brasil Ramos Caiado também foi acionado e esteve na Superintendência da Polícia Federal para realizar avaliação clínica complementar do ex-presidente.
O episódio ocorre poucos dias após Bolsonaro apresentar melhora em seu estado de saúde. Na semana passada, ele recebeu alta do hospital DF Star, onde permaneceu internado por nove dias após cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante a internação, também passou por bloqueio do nervo frênico, procedimento indicado para conter crises persistentes de soluços, associadas a complicações da facada sofrida durante a campanha eleitoral de 2018.
Desde o retorno à custódia da Polícia Federal, no dia 1º, aliados relataram evolução clínica positiva. No entanto, interlocutores afirmam que Bolsonaro vinha se queixando de dificuldades para dormir, atribuídas ao funcionamento contínuo e ao ruído do sistema de ar condicionado da unidade.
A defesa levou a situação ao Supremo Tribunal Federal. Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados alegaram que o barulho compromete o repouso do ex-presidente e solicitaram medidas como adequação do espaço ou isolamento acústico. Moraes determinou que a Polícia Federal se manifeste sobre as condições no prazo de cinco dias.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
*Com informações de OGlobo.com
