O impacto gerado por cooperativas de crédito vai além de ações sociais pontuais ou programas educacionais. Ele nasce, sobretudo, do próprio modelo de negócio cooperativista, que prioriza pessoas, inclusão financeira e desenvolvimento econômico sustentável.
Ao longo da história, esse modelo mostrou capacidade real de transformar renda, fortalecer comunidades e estimular a prosperidade coletiva. Por isso, entender essa lógica é essencial para compreender a força do cooperativismo financeiro.
O que diferencia uma cooperativa de crédito
Muitos associam o diferencial das cooperativas ao investimento social, realizado com recursos próprios ou do Fates. Essas ações incluem projetos filantrópicos, educacionais e comunitários.
Além disso, as cooperativas mantêm forte presença em municípios pouco atendidos pelo sistema financeiro tradicional. Essa atuação amplia a inclusão financeira e impulsiona o crescimento socioeconômico local.
Elas também operam programas governamentais voltados à agricultura familiar e ao empreendedorismo. Dessa forma, estimulam o desenvolvimento regional de maneira estruturada.
Apesar da relevância desses fatores, o principal motor do impacto social está no modelo de negócio cooperativo. Essa lógica surgiu ainda no século XIX.
A primeira cooperativa reconhecida no mundo, criada pelos Pioneiros de Rochdale, na Inglaterra, em 1844, nasceu da necessidade de ganho em escala. Artesãos e operários buscavam comprar bens de consumo a preços mais justos.
Naquele contexto de desigualdade extrema e condições de trabalho precárias, o modelo gerou economia direta para indivíduos e coletivos. A partir desse resultado, o cooperativismo se expandiu globalmente.
O impacto daquela primeira experiência cooperativa veio da economia gerada no dia a dia. Essa lógica permanece válida até hoje.
O cooperativismo financeiro melhora renda e qualidade de vida dos associados. Como consequência, gera impacto social contínuo e mensurável. Esse padrão se repete em diferentes ramos do cooperativismo.
O papel das cooperativas no sistema financeiro
No mercado financeiro, as cooperativas compram e vendem dinheiro para seus próprios associados. Elas não operam com foco no lucro.
Além disso, oferecem produtos como seguros, cartões e consórcios a custos mais baixos. Essa estrutura reduz taxas e tarifas. Assim, mais recursos permanecem no bolso dos cooperados.
O modelo cria um círculo virtuoso. Os depósitos viram funding. Esse funding gera crédito. O crédito movimenta a economia local e fortalece o desenvolvimento regional.
Segundo o Banco Central, em 2021, as cooperativas financeiras geraram uma economia de R$ 25,9 bilhões para mais de 13 milhões de associados no Brasil.
Esse valor veio, principalmente, de taxas de juros mais justas em linhas de crédito pessoal e empresarial. Os números comprovam a eficiência do modelo cooperativista.
Essa economia não representa apenas um dado estatístico. Ela se traduz em benefícios concretos.
Famílias conseguem investir em educação. Empreendedores ampliam seus negócios. Agricultores fortalecem a produção. Esse efeito multiplicador sustenta o conceito de economia compartilhada no cooperativismo financeiro.
Diferentemente das instituições tradicionais, as cooperativas reinvestem seus resultados no próprio quadro social. Elas distribuem sobras e ampliam serviços.
Os programas sociais também têm papel relevante. No entanto, o verdadeiro motor do impacto permanece no modelo de negócio cooperativo. Ele resolve problemas econômicos reais e gera prosperidade com inclusão.
O impacto gerado por cooperativas de crédito nasce da essência do cooperativismo. Ele combina eficiência econômica, inclusão financeira e desenvolvimento local.
Esse modelo segue atual, sustentável e transformador. Por isso, continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para promover crescimento com justiça social.
*João Carlos Spenthof é presidente da Central Sicredi Centro Norte e vice-presidente da OCB-MT.
