O mês de fevereiro ganha destaque nacional com a campanha Fevereiro Roxo, voltada à conscientização sobre doenças crônicas sem cura, mas com possibilidade de controle e melhor qualidade de vida quando diagnosticadas precocemente. Lúpus, fibromialgia e Alzheimer, apesar de distintas em suas manifestações, compartilham desafios comuns, como o diagnóstico tardio, o tratamento contínuo e os impactos físicos, emocionais e sociais prolongados.
Segundo a reumatologista e docente do IDOMED, Marina Andrade, a campanha exerce papel estratégico ao ampliar o conhecimento da sociedade e combater a desinformação. “O Fevereiro Roxo chama atenção para a importância da identificação precoce dessas doenças, o que permite melhor controle dos sintomas e mais qualidade de vida ao paciente”, afirma.
As três condições são consideradas, em muitos casos, doenças invisíveis, já que nem sempre apresentam sinais clínicos evidentes nas fases iniciais. “Exames laboratoriais podem estar normais no começo do quadro, o que reforça a importância da escuta clínica e do acompanhamento contínuo”, explica a especialista.
O lúpus, doença autoimune sistêmica, pode afetar diversos órgãos e apresentar sintomas como dores articulares, febre persistente, manchas na pele, queda de cabelo e sensibilidade ao sol. A fibromialgia, por sua vez, se caracteriza por dor musculoesquelética difusa por mais de três meses, fadiga intensa, distúrbios do sono e dificuldade de concentração, tendo diagnóstico essencialmente clínico. Já o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva, responsável pela forma mais comum de demência, comprometendo memória, linguagem, raciocínio e autonomia, especialmente em pessoas idosas.
Além do aspecto clínico, o Fevereiro Roxo também chama atenção para fatores que influenciam diretamente a evolução dessas condições. Estresse, sedentarismo, privação de sono, alimentação inadequada e baixa adesão ao tratamento podem agravar os sintomas. Em contrapartida, hábitos saudáveis, acompanhamento médico regular e apoio psicológico são fundamentais para o controle da doença e o bem-estar do paciente.
Avanço nos direitos das pessoas com fibromialgia
No campo jurídico, a fibromialgia passou a contar com um marco importante. A Lei nº 15.176/2025 reconhece a condição como deficiência para efeitos legais a partir de 2026, desde que comprovadas limitações funcionais por meio de avaliação biopsicossocial. A medida amplia o acesso a direitos como prioridade de atendimento, vagas reservadas em concursos públicos, oportunidades de emprego e benefícios assistenciais.
Para Fábio Gomes, coordenador do curso de Direito da Estácio Goiás, o reconhecimento representa um avanço significativo. “A legislação traz segurança jurídica e reconhece formalmente limitações que antes dependiam apenas de interpretação judicial, fortalecendo a proteção social dessas pessoas”, destaca.
Segundo ele, o diagnóstico médico isolado não garante automaticamente os direitos. “A avaliação multiprofissional é essencial para medir o impacto da condição na rotina do paciente, assegurando que os benefícios sejam concedidos com base técnica e justiça social”, completa.
