Quando falamos em construção civil, é comum pensarmos nos prédios que passam a fazer parte da paisagem das cidades. Mas uma obra começa a transformar uma região muito antes de suas paredes serem erguidas. Ela movimenta trabalhadores, fornecedores, prestadores de serviços, comércio e uma extensa cadeia produtiva. Por isso, discutir construção civil é também falar de emprego, renda e desenvolvimento econômico.
Segundo dados do DIEESE/PA, a construção civil registrou mais de 33 mil admissões no estado nos primeiros meses do ano, alcançando quase 98 mil trabalhadores formais no Pará. São milhares de pessoas que encontram no setor uma oportunidade de geração de renda, além de uma rede de empresas que participa direta ou indiretamente desse movimento.
O desafio das empresas que ajudam a construir as cidades é entender que, antes de pensar em metragem, localização ou quantidade de unidades, é preciso pensar em pessoas.
Vivemos um momento em que o mercado precisa se adaptar às novas necessidades da população. Durante muito tempo, coube ao consumidor escolher entre as opções disponíveis. Hoje, essa lógica precisa mudar: são as empresas que devem observar como as pessoas vivem, trabalham, se deslocam e se relacionam com a cidade para, a partir disso, desenvolver soluções.
Essa mudança passa, por exemplo, pela forma como pensamos a moradia. Cresce a procura por espaços mais funcionais, bem localizados e conectados aos serviços do dia a dia. Não se trata apenas de ter um lugar para morar, mas de reduzir deslocamentos e recuperar algo que não pode ser comprado: tempo.
Dependendo de onde uma pessoa mora e trabalha, horas podem ser perdidas diariamente no trânsito. Ao longo de anos, são milhares de horas que deixam de ser dedicadas à família, ao descanso, ao lazer ou à própria saúde. O maior ativo que temos é justamente o tempo, e pensar a cidade a partir dessa perspectiva também é pensar em qualidade de vida.
Essa responsabilidade precisa alcançar ainda questões ambientais e sociais. Uma cidade não é formada apenas por seus edifícios, mas pelas pessoas que vivem ao redor deles. Projetos urbanos precisam considerar o impacto sobre o território, o uso responsável dos recursos naturais e a possibilidade de gerar benefícios para as comunidades.
A sustentabilidade, portanto, não pode ser apenas um conceito associado ao discurso empresarial. Precisa estar presente nas decisões, desde o planejamento até a execução de uma obra, assim como as ações que contribuam para o desenvolvimento social do entorno.
A construção civil tem uma capacidade enorme de transformar realidades. Cada obra pode representar empregos, renda, novos serviços e oportunidades. Mas também pode representar uma nova maneira de pensar a relação das pessoas com a cidade.
O momento exige que as empresas olhem menos para aquilo que conseguem oferecer e mais para aquilo que as pessoas realmente precisam. É uma inversão importante: não são as pessoas que devem se adaptar aos produtos, mas os produtos e os espaços que precisam acompanhar a transformação da sociedade.
Construir, portanto, é mais do que levantar edifícios. É participar da construção de uma cidade mais humana, funcional e sustentável. Quando colocamos as pessoas no centro das decisões, cada projeto deixa de ser apenas uma obra e passa a ser uma oportunidade de melhorar a vida de quem vive naquela cidade.
*Túlio Damasceno é diretor-executivo e sócio-proprietário do Grupo TWT.
