Pequenos produtores rurais de Dom Eliseu, no sudeste do Pará, estão vivenciando uma transformação significativa na cadeia produtiva do mel. Atualmente, os resultados de um programa que atua em cinco municípios da região vêm fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis e ampliando o acesso de agricultores familiares a novos mercados, com impacto direto na geração de renda e na inclusão produtiva.
Tecnologia amplia mercado e renda no campo
Em Dom Eliseu, nesse contexto, uma das ações de maior impacto foi a doação de uma máquina para envase de mel em sachês a uma cooperativa local, fortalecendo a chamada “Casa do Mel”, localizada na Vila Alto Bonito. Com isso, a tecnologia passou a viabilizar a entrada do produto no mercado institucional, especialmente no fornecimento para a merenda escolar da rede municipal.
Além de agregar valor ao mel, a produção em sachês responde a desafios práticos do cotidiano das escolas. Por exemplo, o novo formato garante maior segurança alimentar e higiene, reduz riscos de contaminação em comparação ao uso de recipientes maiores e possibilita melhor controle das porções. Consequentemente, há redução do desperdício e mais eficiência logística, já que o produto pode ser distribuído individualmente.
Experiências anteriores em unidades escolares, por sua vez, indicaram boa aceitação do mel em sachê por estudantes e gestores, reforçando a viabilidade do modelo adotado.
Parcerias disparam desenvolvimento sustentável
A mudança é resultado do trabalho desenvolvido a partir da parceria entre a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e a Aliança Bioversity & CIAT, por meio do Programa Paricá – Territórios em Ação. Nesse sentido, a iniciativa é voltada ao desenvolvimento sustentável, à redução da pobreza e à inclusão social na Amazônia.
Na prática, o projeto alterou de forma estrutural a rotina dos(as) apicultores(as). Antes, a produção era comercializada majoritariamente a granel, com menor valor agregado e dependência de intermediários. Agora, com o processamento local, a cooperativa passou a atuar de maneira mais estratégica, acessando novos canais, como as compras públicas.
Cadeia mais curta, mais autonomia e mais valor
Outro avanço relevante é o encurtamento da cadeia produtiva. Enquanto anteriormente o mel passava por várias etapas, apicultor, cooperativa, entreposto, indústria e mercado, atualmente a produção pode seguir diretamente da cooperativa para o consumidor final ou para contratos institucionais. “Antes da chegada da máquina de sachês, precisávamos usar equipamentos de outra agroindústria, o que diminuía bastante o nosso lucro. Hoje conseguimos processar nosso próprio mel, agregar valor ao produto e melhorar significativamente a renda das famílias”, afirma Zélia Sousa, presidente da Cooagro.
Segundo ela, a cooperativa reúne 24 cooperados diretos e envolve cerca de 50 pessoas, com produção anual de aproximadamente 18 toneladas de mel. Além disso, a meta é alcançar 25 toneladas por ano até 2026, ampliando a segurança financeira das famílias envolvidas.
Impacto social e econômico no território
O trabalho está alinhado à estratégia do Programa Paricá de fortalecer economias locais sustentáveis, conservar a biodiversidade e promover inclusão social. Dessa forma, iniciativas ligadas à apicultura integram um conjunto mais amplo de ações voltadas ao desenvolvimento comunitário, que incluem apoio à infraestrutura produtiva, assistência técnica e fortalecimento da comercialização de produtos da sociobiodiversidade.
Em Dom Eliseu, por fim, o impacto já é perceptível: produtores deixam de ser apenas fornecedores de matéria-prima e passam a ocupar uma posição mais estratégica na cadeia produtiva, com mais autonomia, renda e participação no desenvolvimento econômico local. “O Programa Paricá mostra, na prática, que o desenvolvimento sustentável pode gerar oportunidades reais. A doação da máquina de sachês fortalece a autonomia produtiva, agrega valor ao mel e abre portas para novos mercados, como a merenda escolar”, explica Paulo Guilherme Rocha, coordenador de Sustentabilidade da Suzano.
