O Brasil vive um cenário crítico de adoecimento emocional entre trabalhadores. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que 472.328 afastamentos por transtornos mentais foram concedidos em 2024, o maior número registrado em pelo menos uma década. O volume representa um aumento de 68 por cento em relação a 2023 e corresponde a quase meio milhão dos 3,5 milhões de pedidos de licença ao INSS no período.
Os números evidenciam uma crise de saúde mental diretamente ligada às pressões do mercado de trabalho, às transformações nas relações profissionais e aos impactos prolongados da pandemia de Covid 19. Transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout figuram entre as principais causas de afastamento, com incidência ainda mais expressiva entre profissionais da saúde, que lidam diariamente com alta carga emocional e decisões complexas.
Nesse contexto, a campanha Janeiro Branco reforça a importância do cuidado contínuo com a saúde mental, defendendo que prevenção, diagnóstico e tratamento devem integrar a rotina ao longo de todo o ano, especialmente entre trabalhadores que atuam na linha de frente da assistência à população.
Entre os transtornos mais recorrentes está a depressão, que atinge cerca de 15,5 por cento da população brasileira ao longo da vida, segundo o Ministério da Saúde. O quadro envolve tristeza persistente, apatia, fadiga, alterações no sono e no apetite, além de dificuldades de concentração. Já o Transtorno de Ansiedade Generalizada se manifesta por preocupação excessiva e sintomas físicos como tensão muscular, palpitações e falta de ar.
A lista inclui ainda o transtorno bipolar, caracterizado por oscilações intensas de humor, a síndrome de burnout, associada ao esgotamento físico e emocional relacionado ao trabalho, e a síndrome do pânico, marcada por crises súbitas de ansiedade intensa. Em comum, todos esses quadros afetam diretamente a rotina, a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores.
De acordo com a psicóloga Carolina Caetano, o cuidado com a saúde mental precisa estar incorporado à gestão das instituições de saúde. “Profissionais da área lidam diariamente com situações de alta carga emocional, pressão assistencial e decisões complexas. Estruturar ações de acolhimento, escuta qualificada e acompanhamento psicológico é fundamental para reduzir o adoecimento e fortalecer quem está na linha de frente do cuidado”, afirma.
Um estudo da Universidade Federal de São Carlos, realizado entre 2021 e 2022, reforça esse alerta. A pesquisa aponta que 86 por cento dos profissionais da saúde relataram sintomas de burnout, 81 por cento estresse e 74,4 por cento má qualidade do sono. Também foram identificados sintomas depressivos em diferentes níveis, do leve ao severo.
Cuidado institucional como estratégia de prevenção
Diante desse cenário, o Grupo Chavantes tem implementado ações voltadas ao cuidado integral de seus colaboradores, reconhecendo que a qualidade da assistência prestada está diretamente ligada ao bem estar das equipes. Entre as iniciativas está o programa de acolhimento à primeira e segunda vítima, que oferece escuta qualificada e acompanhamento terapêutico a profissionais envolvidos em eventos adversos e situações críticas no ambiente de trabalho.
O grupo também disponibiliza benefícios corporativos voltados à promoção da saúde física e emocional, como acesso a atividades físicas por meio da plataforma TotalPass e atendimento psicológico contínuo via Psicologia Viva e Conexa. Além disso, clubes de desconto em serviços de lazer e bem estar contribuem para o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Para a presidente do Grupo, Dra. Leticia Bellotto Turim, o cuidado com o colaborador é parte central da gestão em saúde. “Não é possível falar em assistência de qualidade sem olhar para quem está diariamente sustentando esse sistema. Investir em escuta, acolhimento e condições adequadas de trabalho é uma responsabilidade institucional e um compromisso com a sustentabilidade do cuidado”, destaca.
Ela ressalta ainda a importância de canais institucionais como ouvidoria, comitê de ética e compliance. “Cuidar de quem cuida é uma escolha que impacta diretamente na prestação dos serviços, na saúde das equipes e, principalmente, da população atendida”, conclui.
