Paraense se forma em Fisioterapia aos 65 anos e passa a atuar ao lado da filha

Redação
Pedro Rodrigues concluiu Fisioterapia aos 65 anos e hoje trabalha ao lado da filha. Créditos: Divulgação.

Aos 65 anos, Pedro Rodrigues decidiu retomar um projeto que havia sido adiado por décadas: fazer uma graduação na área da saúde. Morador de Marabá, no sudeste do Pará, ele passou 35 anos trabalhando como terapeuta holístico, com atendimentos em domicílios e clínicas. O interesse pelo funcionamento do corpo humano, aliado ao desejo de continuar aprendendo, o levou de volta à sala de aula. Em 2024, concluiu a graduação em Fisioterapia e, atualmente, atua na área ao lado da filha, que também é fisioterapeuta.

A história ganha destaque às vésperas do Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro. Para Pedro, a idade nunca representou um limite para buscar novos conhecimentos ou iniciar uma nova etapa profissional.

O desejo de cursar uma graduação na área da saúde existia havia anos, mas dificuldades financeiras, a ausência de cursos que despertassem seu interesse em Marabá e a necessidade de se deslocar para outras cidades acabaram adiando o plano. Antes de ingressar em Fisioterapia, ele chegou a iniciar Biomedicina, mas decidiu mudar de área quando surgiu a possibilidade de estudar Fisioterapia em sua cidade.

“Eu sempre tive vontade de fazer uma graduação na área da saúde. Sempre gostei de pesquisar, de aprender e de buscar conhecimento. Durante muitos anos, fui estudando por conta própria, lendo muito e procurando entender cada vez mais sobre o corpo e a saúde. Quando surgiu a oportunidade de cursar Fisioterapia em Marabá, percebi que era a hora de realizar esse sonho”, conta.

Uma nova profissão aos 65 anos

A decisão de voltar aos estudos surpreendeu alguns amigos, que consideraram arriscado começar uma graduação naquela fase da vida. Dentro de casa, porém, o apoio veio da esposa e da filha.

A escolha profissional também aproximou ainda mais pai e filha. Ela cresceu acompanhando a rotina de trabalho de Pedro e acabou seguindo um caminho semelhante. Formada em 2013 e especializada na área, passou a compartilhar com o pai não apenas a profissão, mas também experiências do cotidiano profissional.

Hoje, os dois trabalham juntos e encontram na rotina uma oportunidade de trocar conhecimentos construídos em diferentes momentos da carreira. “A minha filha cresceu me vendo trabalhar e acabou se apaixonando pela Fisioterapia. Ela se formou em 2013 e eu, em 2024. Poder trabalhar ao lado dela é uma alegria muito grande. Nós aprendemos um com o outro e temos a oportunidade de unir experiências e conhecimentos”, afirma.

O “vovô” da turma

Durante a graduação, Pedro ganhou dos colegas um apelido carinhoso: “vovô” da turma. A diferença de idade, no entanto, não criou distância entre ele e os demais estudantes.

Pelo contrário. A experiência acumulada ao longo de décadas de trabalho fez com que Pedro também contribuísse com conhecimentos práticos durante a formação. Ao mesmo tempo, a convivência com professores e estudantes mais jovens trouxe novas perspectivas para sua trajetória.

“Eu cheguei à faculdade com uma experiência de muitos anos, mas nunca fui para lá achando que sabia tudo. Eu ensinei algumas coisas que aprendi ao longo da vida, mas também aprendi muito com os professores e com os meus colegas. Essa troca foi uma das partes mais importantes da graduação”, relata.

Além da formação em Fisioterapia, Pedro já concluiu pós-graduações e prepara o lançamento de um livro de memórias, no qual pretende registrar experiências acumuladas ao longo de sua trajetória pessoal e profissional.

Para ele, continuar estudando e trabalhando representa mais do que uma escolha profissional. É uma maneira de manter ativo um propósito construído ao longo da vida.

“A Fisioterapia é mais do que uma profissão para mim, é um chamado de vida. Ajudar a aliviar a dor das pessoas é também ajudar a transformar vidas. Aprendi que o sucesso na Fisioterapia passa muito pela cautela, pela atenção e pela sensibilidade. Por isso, eu digo que não é a idade que resume uma pessoa, mas a sua sensibilidade e a vontade de continuar aprendendo”, afirma.

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