Desafio Atlas das Baixadas premia comunidades com R$ 5 mil

Redação
Desafio Atlas das Baixadas está aberto até 13 de fevereiro de 2027 e reúne contribuições de comunidades de todo o Brasil. Créditos: Observatório das baixadas.

O Observatório das Baixadas lançou oficialmente, no dia 13 de setembro, o Desafio Nacional Atlas das Baixadas, uma chamada pública de mapeamento participativo que mobiliza moradores de periferias urbanas e rurais de diferentes regiões do Brasil para produzir dados sobre seus próprios territórios.

O vencedor do desafio será premiado com R$ 5 mil, enquanto o segundo e o terceiro ganharão, respectivamente, R$ 2.500 e R$ 1.200. Ao final, os cinco primeiros colocados serão contemplados com prêmios em dinheiro. As inscrições e contribuições estão abertas até o dia 13 de fevereiro de 2027, de acordo com os critérios e regras disponíveis em: https://www.observatoriodasbaixadas.org/

A iniciativa integra o Atlas das Baixadas, plataforma desenvolvida pelo Observatório das Baixadas para reunir informações georreferenciadas e conhecimentos produzidos pelas próprias comunidades. A proposta é transformar a experiência de quem vive nesses territórios em informação pública, verificável e capaz de contribuir para pesquisas, ações e formulação de políticas públicas.

Durante o Desafio, os participantes podem registrar denúncias socioambientais, situações de vulnerabilidade, contestações a dados oficiais que não refletem a realidade local, iniciativas comunitárias de resiliência, memórias dos territórios e avaliação de obras públicas. Todas as contribuições passarão pela curadoria da equipe do Observatório, garantindo rigor metodológico e integridade à base de dados sem abrir mão da participação popular.

“Quem vive nas periferias conhece como ninguém os desafios e as
potências de seus territórios. O Desafio Nacional Atlas das Baixadas nasce para transformar esse conhecimento em dados, fortalecer a autonomia das comunidades e mostrar que produzir ciência também é uma forma de
disputar direitos e construir soluções. Queremos que os próprios moradores sejam protagonistas desse processo e que suas experiências possam orientar pesquisas, ações e políticas públicas mais conectadas
com a realidade”, afirma Waleska Queiroz, cofundadora e coordenadora do Observatório das Baixadas.

Ciência produzida com quem vive o território

O Desafio parte de um princípio metodológico central do Observatório das Baixadas: quem melhor conhece o território é quem vive nele. Em muitas periferias brasileiras, problemas cotidianos como ausência de infraestrutura pública adequada, dificuldades de acesso a serviços públicos e impactos de eventos climáticos extremos não aparecem de forma completa nas estatísticas oficiais.

A proposta do Atlas é contribuir para diminuir essa lacuna por meio de uma ciência produzida com e desde as comunidades, e não apenas sobre elas. Ao permitir que moradores registrem diretamente aquilo que identificam em seus territórios, o Desafio transforma conhecimento cotidiano em dados georreferenciados, ampliando a
visibilidade tanto dos problemas quanto das soluções construídas localmente.

Dados para enfrentar desigualdades

A iniciativa ganha relevância em um contexto de agravamento dos eventos climáticos extremos e de aprofundamento das desigualdades sociais, econômicas e ambientais no Brasil. Territórios de baixada e periferias estão frequentemente
expostos a diferentes tipos de riscos e, ao mesmo tempo, são espaços onde as comunidades desenvolvem estratégias próprias de cuidado, adaptação e enfrentamento às desigualdades.

O Atlas busca registrar essas duas dimensões: as vulnerabilidades e as potências dos territórios.

“Produzir dados a partir dos próprios territórios é também uma forma de ampliar a capacidade das comunidades de incidirem sobre as decisões que afetam suas vidas. Ao reunir informações georreferenciadas sobre
vulnerabilidades, impactos socioambientais e iniciativas comunitárias, o Atlas cria uma base importante para compreender as diferenças entre os territórios e qualificar o debate sobre desigualdades no Brasil”, comenta
Elinaldo Caldas, pesquisador do Observatório das Baixadas.

Do mapa à política pública

Os resultados do Desafio serão acompanhados por indicadores como número de municípios e comunidades alcançadas, volume de contribuições recebidas e validadas, cobertura territorial, diversidade regional e racial dos participantes. A expectativa é
que a base produzida permaneça disponível publicamente e possa ser utilizada por pesquisadores, organizações da sociedade civil, comunicadores, gestores públicos e
pelas próprias comunidades. Mais do que uma campanha pontual de coleta de informações, o Observatório das Baixadas pretende consolidar uma metodologia escalável de produção de dados periféricos, fortalecendo a capacidade de comunidades historicamente invisibilizadas de nomearem, com evidências, os problemas e as soluções de seus territórios.

Como participar

Com o lançamento oficial realizado em 13 de setembro, o Desafio Nacional Atlas das Baixadas já está aberto para a participação de pessoas, coletivos e organizações interessadas em contribuir para o mapeamento de seus territórios.
As contribuições podem ser realizadas de 13 de setembro de 2026 até 13 de fevereiro de 2027, contemplando todo o território nacional. Os critérios de
participação, categorias, contribuições, regras de avaliação, informações detalhadas sobre a premiação e demais orientações estão disponíveis no site oficial do Observatório das Baixadas e também no perfil oficial do instagram, @observatoriodasbaixadas.

Para conhecer a plataforma e os dados já reunidos pelo projeto, acesse o Atlas das Baixadas: https://atlasdasbaixadas.com/

A mobilização pretende alcançar comunidades de diferentes regiões do país e ampliar uma rede nacional de pessoas que produzem conhecimento a partir de suas próprias experiências territoriais. Mais do que preencher um mapa, a iniciativa propõe uma mudança de perspectiva: as periferias deixam de ser apenas territórios representados nos dados e passam a ser também produtoras deles, com conhecimento e evidências sobre sua própria realidade.

Sobre o Observatório das Baixadas

O Observatório das Baixadas (OBx) atua na produção e democratização de ciência, tecnologia e dados voltados à justiça social, tecnológica e socioambiental em territórios periféricos e de baixada. Idealizado por Andrew Leal e Waleska Queiroz, crias da Baixada da Terra Firme, em Belém do Pará, o Observatório desenvolve iniciativas que fortalecem a produção de conhecimento a partir dos próprios territórios. Entre suas principais iniciativas está o Atlas das Baixadas, plataforma colaborativa que reúne
dados e conhecimentos produzidos pelas comunidade.

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