Dia Nacional do Voluntariado: como voluntários ajudam na recuperação prisional

Matheus Freire
Voluntários participam de atividades nas APACs e ajudam a aproximar a sociedade do processo de recuperação e reinserção social de pessoas privadas de liberdade - Foto: Voluntariado FBAC/Divulgação.

Em um espaço marcado historicamente por grades, regras e distanciamento da sociedade, a presença de um voluntário pode abrir uma porta que vai além da estrutura física de uma unidade prisional. Ao oferecer tempo, conhecimento, escuta e acolhimento, essas pessoas ajudam a construir novas possibilidades para quem cumpre pena. É essa participação da comunidade que ganha destaque no Dia Nacional do Voluntariado, celebrado nesta sexta-feira (28), especialmente na metodologia APAC, que coloca a valorização humana e a reinserção social no centro da execução penal.

O voluntariado faz parte do próprio Método APAC, que propõe uma abordagem humanizada da execução da pena, baseada em valores como confiança, respeito, responsabilidade, solidariedade e valorização humana. Nas APACs, os voluntários atuam em diferentes frentes, oferecendo apoio e contribuindo com atividades que fazem parte da rotina das unidades, como assistência espiritual, educação, capacitação profissional, atividades culturais, acompanhamento e ações de fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

Mais do que prestar um serviço, o voluntário representa a aproximação da sociedade com a realidade do sistema prisional. Essa participação ajuda a romper barreiras e preconceitos e cria oportunidades para que a pessoa privada de liberdade seja vista para além do crime cometido, como um indivíduo capaz de assumir responsabilidades, desenvolver novas habilidades e construir um novo caminho.

“O voluntariado é uma expressão concreta de que a recuperação da pessoa privada de liberdade não é uma responsabilidade exclusiva do Estado ou das instituições. Quando a sociedade se aproxima, participa e oferece seu tempo e conhecimento, ela também passa a fazer parte desse processo de transformação. No Método APAC, essa presença é essencial para fortalecer vínculos, resgatar valores e criar perspectivas para quem está cumprindo sua pena”, afirma Tatiana Flávia Faria de Souza, Diretora-Geral da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC).

A atuação dos voluntários também está diretamente relacionada à proposta de corresponsabilidade presente no Método APAC. A metodologia entende que a recuperação é construída a partir da participação de diferentes atores: recuperandos, funcionários, voluntários, familiares, comunidade e poder público em um processo que busca preparar a pessoa para o retorno ao convívio social.

Para a FBAC, entidade que orienta, fiscaliza e acompanha as APACs, o fortalecimento do voluntariado é fundamental para ampliar a participação comunitária na execução penal e contribuir para uma sociedade mais inclusiva. “O voluntário não é apenas alguém que oferece algumas horas do seu dia. Ele é parte de uma rede que demonstra ao recuperando que a sociedade também acredita na possibilidade de mudança. Essa presença pode ser determinante para que novos caminhos sejam construídos”, destaca Tatiana.

Neste Dia Nacional do Voluntariado, a FBAC destaca, portanto, a importância de ampliar o envolvimento da sociedade com as APACs. Seja por meio de atividades profissionais, educacionais, culturais, espirituais ou de convivência, cada voluntário pode contribuir para fortalecer uma proposta de execução penal que coloca a valorização humana e a reinserção social no centro do processo.

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