A CAIXA Cultural Belém abre ao público nesta terça-feira, 14 de julho, às 19h, a exposição itinerante “Carolinas”. O projeto, idealizado para homenagear e difundir o legado literário de Carolina Maria de Jesus — autora do clássico Quarto de Despejo —, ganha uma montagem inédita na capital paraense sob a curadoria de Vânia Leal. A mostra reúne obras de sete artistas visuais negras da região Norte, estabelecendo uma conexão estética e política entre as vivências da escritora mineira e as realidades da Amazônia contemporânea.
A cerimônia de abertura contará com a participação de Vera Eunice de Jesus, filha da escritora, que visita a cidade de Belém pela primeira vez para prestigiar o evento de lançamento.
O diálogo estético entre a literatura e as vivências amazônidas
Após cumprir temporadas em centros culturais de capitais como Salvador, Fortaleza e São Paulo, a exposição foi reconfigurada para dialogar com a produção artística do Pará. O comitê de curadoria selecionou criadoras locais cujos trabalhos investigam temas relacionados à ancestralidade, dinâmicas de gênero, território e identidade negra.
O grupo de expositoras é composto pelas artistas:
- Beatriz Paiva;
- Glenda Beatriz;
- Itatiane Moraes;
- Júlia Margalho;
- Mina Ribeirinha;
- Potira;
- Paula Sampaio.
As obras perpassam suportes variados, incluindo fotografia documental, pintura contemporânea, instalações e registros de performance. “A escolha de cada artista é fruto de um olhar atento que não está aqui apenas para ilustrar um conceito, mas para fincar a bandeira da produção intelectual e visual de mulheres negras do Norte. Cada uma traz uma camada indispensável para que a exposição ‘Carolinas’ pulse com a identidade e a força da Amazônia”, afirma a curadora Vânia Leal.
Fomento à literatura marginal e reflexão social
Concebido por Elaine Hazin, diretora da Via Press Comunicação, o projeto “Carolinas” busca aproximar o grande público de manuscritos e textos do espólio literário de Carolina Maria de Jesus, inclusive trechos pouco difundidos nos círculos acadêmicos tradicionais. O patrocínio da temporada é assinado pela CAIXA e pelo Ministério da Cultura do Governo Federal.
A iniciativa visa criar espaços de debate sobre a representatividade feminina e negra nas artes visuais e na literatura, evidenciando o potencial político da produção artística periférica. “O projeto pretende ser uma força que une mulheres negras e periféricas, assim como um fazer ético e estético. O objetivo é instigar o debate sobre gênero, raça, empoderamento feminino e lugar de fala, evidenciando o poder e a importância do contexto sociocultural das autorias femininas das margens”, aponta Elaine Hazin.
