Centro Cultural Banco da Amazônia recebe a exposição “Trabalhadores”, de Sebastião Salgado

Redação
Considerado um dos projetos mais emblemáticos do fotojornalismo contemporâneo, Trabalhadores documenta o trabalho humano em sua dimensão mais essencial. Foto: @sebastiaosalgado

O Centro Cultural Banco da Amazônia apresenta, a partir do dia 15 de abril, a exposição Trabalhadores, de Sebastião Salgado, um dos mais importantes fotógrafos documentais do mundo. A mostra ocupa a Galeria 1 do espaço, reunindo cerca de 150 fotografias produzidas ao longo de seis anos de trabalho, entre 1986 e 1992, em diferentes países.

“Apresentar esta exposição pela primeira vez na Amazônia é mais do que um feito cultural: é um gesto de reconhecimento à potência simbólica da região e ao diálogo universal que a fotografia do artista Sebastião Salgado estabelece com a humanidade. Reconhecido mundialmente, ele construiu uma obra que ultrapassa o campo estético e se afirma como testemunho ético, sensível e atemporal da condição humana e da relação do homem com o planeta”, relata Ruth Helena Lima, gerente de Marketing, Comunicação e Promoção do Banco da Amazônia.

Considerado um dos projetos mais emblemáticos do fotojornalismo contemporâneo, Trabalhadores documenta o trabalho humano em sua dimensão mais essencial, registrando atividades que marcaram o fim de um ciclo histórico, aquele em que a força física e o trabalho manual eram centrais nos processos produtivos, antes das transformações impostas pela mecanização e pelas novas tecnologias.

Com curadoria e design de Lélia Wanick Salgado, a exposição constrói uma espécie de arqueologia visual da Revolução Industrial, reunindo imagens que revelam ofícios, gestos e modos de vida que, em muitos casos, estavam prestes a desaparecer.

Ao percorrer a exposição, o público atravessa um mapa do mundo guiado pelo trabalho humano, não como abstração, mas como gesto, esforço e matéria.

Logo nas primeiras imagens, surgem as grandes cadeias produtivas ligadas à terra: plantações de cana-de-açúcar no Brasil, cultivos de chá na África, tabaco em Cuba e outras culturas que moldaram economias inteiras. São paisagens atravessadas por ciclos globais, onde o corpo do trabalhador ocupa um lugar central.

A exposição avança então para o mar e para a indústria alimentícia, revelando tanto práticas tradicionais quanto processos altamente mecanizados. Da pesca artesanal do atum no Mediterrâneo à pesca industrial em larga escala, o visitante percebe como a tecnologia transforma – mas não elimina – a presença física do trabalhador.

Na sequência, o percurso mergulha no universo da produção industrial. Fábricas, linhas de montagem e grandes complexos siderúrgicos revelam um mundo em transição, onde a mecanização redefine funções e reduz postos de trabalho, ao mesmo tempo em que expõe novas formas de organização e controle.

Um dos momentos mais impactantes da exposição se concentra nas atividades de extração. Minas de carvão na Índia, a extração de enxofre na Indonésia e, de forma emblemática, o garimpo de Serra Pelada, no Brasil, revelam imagens de intensidade monumental. Ali, milhares de corpos em movimento constroem paisagens quase irreais, marcadas por esforço extremo e tensão permanente.

O percurso segue pelos campos petrolíferos e pelas grandes operações energéticas, onde o trabalho assume dimensões ainda mais perigosas e complexas, e se encerra com imagens de grandes obras de engenharia – túneis, barragens e canais – que revelam o esforço coletivo em escala monumental, capaz de transformar territórios inteiros.

Ao longo desse trajeto, o que se revela não é apenas uma sucessão de ofícios, mas uma memória do trabalho em transformação. As imagens capturam um momento de passagem entre eras, convocando o público a refletir sobre as mudanças nas relações de trabalho e sobre o lugar do ser humano nesse processo.

A exposição documenta e propõe uma experiência de reflexão. No contraste profundo do preto e branco, cada imagem carrega não apenas a história do outro, mas também vestígios da nossa própria formação social.

A programação, envolvendo oficinas e palestras, vai até dia 14 de agosto. Além da visitação, haverá atividades paralelas como palestras e oficinas, ampliando o diálogo entre fotografia, história e questões contemporâneas.

Com produção da Maré Produções e patrocínio do Banco da Amazônia e Governo Federal, a realização da exposição reafirma o papel do Centro Cultural Banco da Amazônia como um dos principais espaços de difusão artística na região.

Sobre Sebastião Salgado

Sebastião Salgado foi um dos mais reconhecidos fotógrafos documentais do mundo, com uma trajetória marcada pelo compromisso com a condição humana e os grandes temas sociais e ambientais. Nascido em Aimorés, Minas Gerais, formou-se em Economia antes de migrar para a fotografia no início da década de 1970.

Ao longo de mais de cinco décadas, desenvolveu projetos de longa duração que se tornaram referência no fotojornalismo contemporâneo, como Trabalhadores, Êxodos e Gênesis, nos quais combinou rigor estético, densidade narrativa e profunda imersão nos territórios e comunidades retratadas.

Em 1994, fundou, ao lado de Lélia Wanick Salgado, a agência Amazonas Images. Paralelamente à fotografia, o casal também desenvolveu o Instituto Terra, projeto de recuperação ambiental no Vale do Rio Doce.

Sebastião Salgado faleceu em 23 de maio de 2025, deixando um legado incontornável para a fotografia mundial.

Serviço

Exposição: Trabalhadores, de Sebastião Salgado
Local: Galeria 1 – Centro Cultural Banco da Amazônia
Endereço: Av. Presidente Vargas, 800 – Campina, Belém (PA)
Visitação: 15 de abril a 16 de agosto de 2026
De terça a sexta, das 10h às 16h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h
Entrada: Gratuita

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