As escolas vivem uma contradição diante dos desafios do uso das tecnologias. De um lado, buscam limitar o acesso dos estudantes a recursos como o celular, sob a justificativa de evitar dispersão, dificuldades de concentração ou mesmo problemas disciplinares. De outro, reconhecem a necessidade de disponibilizar internet e equipamentos conectados, entendendo que a vida social, cultural e profissional dos alunos já está marcada pela presença constante do digital. Essa tensão revela uma dificuldade de integrar o uso pedagógico das tecnologias ao cotidiano escolar.
Ao proibirem o celular, as escolas tendem a tratar a tecnologia como uma ameaça; ao investir em internet e laboratórios, sinalizam que ela é também oportunidade de aprendizagem. O desafio, portanto, não está apenas em permitir ou proibir, mas em criar estratégias para que o uso das tecnologias seja orientado, crítico e alinhado aos objetivos educacionais e às perspectivas curriculares transformando um recurso visto como distração em instrumento de produção de conhecimento.
Para o sustento da relação entre ensino e tecnologia, a internet de qualidade deve ser compreendida como parte essencial da infraestrutura básica. Sua ausência impõe uma desvantagem estrutural às escolas, comprometendo o cumprimento do princípio da equidade estabelecido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96, Art. 3º, Inciso I). Nesse contexto, a equidade significa assegurar que todos tenham acesso à educação, levando em conta as desigualdades históricas e sociais, de modo a corrigi-las, promovendo inclusão e valorizando a diversidade.
Somente com acesso a uma internet de qualidade, gestores e professores poderão assumir o papel de produtores de conteúdos educacionais. Além de blogs, podcasts, vídeos e plataformas digitais podem desenvolver cursos online, ambientes virtuais de aprendizagem, repositórios de objetos educacionais e projetos colaborativos em rede com outras instituições de ensino. Esse movimento é capaz de fortalecer as práticas escolares, ampliar a autonomia pedagógica e favorecer a inovação, ao permitir que a escola dialogue com diferentes linguagens, contextos e culturas, tornando-se também espaço de criação e difusão de conhecimento.
Por Andréa Mafra – doutora e professora do Mestrado e Doutorado em Educação da Estácio.*
