O Carnaval se aproxima e, com ele, ruas cheias, festas prolongadas e uma rotina fora do comum. O que nem sempre aparece no brilho das fantasias é o aumento dos riscos enfrentados por crianças e adolescentes nesse período. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos mostram que, no Carnaval de 2024, as denúncias ao Disque 100 cresceram 38%, com mais de 26 mil violações envolvendo esse público.
Riscos aumentam durante o período festivo
A proteção de crianças e adolescentes no Carnaval precisa considerar não apenas os espaços físicos, mas também o ambiente digital. Enquanto pais e responsáveis se dividem entre compromissos e celebrações, crianças passam mais tempo conectadas. O cenário abre brechas para exposição excessiva, contato com desconhecidos e consumo de conteúdos impróprios.
Perigos também estão no ambiente digital
O uso intenso de telas pode gerar impactos no desenvolvimento e na saúde mental. No entanto, o risco maior está na interação online sem supervisão. Jogos, redes sociais e aplicativos de mensagens se tornaram portas de entrada para crimes virtuais, que muitas vezes começam com conversas aparentemente inofensivas.
Alerta de especialistas reforça a necessidade de atenção
Segundo Maurico Cunha, presidente executivo do ChildFund Brasil, o período exige atenção redobrada. Ele alerta para o cuidado com o compartilhamento de imagens de crianças nas redes sociais e com a liberação irrestrita de aplicativos. “Muitos criminosos aproveitam momentos de distração dos adultos para agir”, afirma.
Avanços legais fortalecem a proteção infantil
Além do cuidado individual, mudanças estruturais avançam no país. A chegada do ECA Digital amplia a proteção legal de crianças e adolescentes no ambiente virtual, reforçando direitos já previstos e adaptando-os à dinâmica das redes sociais. A legislação entra em vigor em março de 2026, mas o debate sobre segurança digital já se mostra urgente.
A combinação entre informação, acompanhamento familiar e responsabilidade no uso das tecnologias segue como principal estratégia para reduzir riscos. No Carnaval, quando a rotina muda e a atenção se dispersa, proteger crianças e adolescentes precisa ser prioridade.
