No Pará, a experiência do parto normal tem passado por transformações relevantes, com foco na humanização, no acolhimento e na autonomia da gestante. Centros de parto normal, como o Haydee Pereira Sena, em Castanhal, oferecem um atendimento que ultrapassa o procedimento médico, incluindo acompanhamento integral desde o pré-natal, práticas baseadas em evidências e métodos não farmacológicos que tornam o nascimento mais seguro e respeitoso para mães e bebês.
De acordo com Murilo Henrique Souza, enfermeiro obstetra, a atuação deste profissional avançou imensamente. “Tivemos uma mudança na autonomia e liderança de quem atua com enfermagem obstetrica no cuidado ao parto normal prestados por nós enfermeiros, maior protagonismo na tomada de decisões assistenciais, implementação de práticas baseadas em evidências e ampliação de ambientes de parto humanizado, como casas e centros de parto normal”, destaca.
Ainda de acordo com o profissional, o acompanhamento integral da mulher começa ainda no pré-natal. “Isso começa ainda no pré-natal realizado na atenção básica, onde a gestante recebe orientações adequadas desde o início. Ao chegar em um Centro de Parto Normal, trabalhamos com foco no cuidado integral à paciente, oferecendo palestras, cursos preparatórios para o parto, fisioterapia pélvica, atendimento psicológico e outras ações educativas”, explica Henrique.
Durante o trabalho de parto, métodos não farmacológicos são priorizados. “Prestamos assistência contínua utilizando ventosaterapia, massagens, aromaterapia, chás de plantas, como o chá de chicória para estimular as contrações, e diversas posições que auxiliam a evolução do parto. O enfermeiro obstetra monitora todo o processo com foco na fisiologia, promovendo conforto, segurança e evitando intervenções sem indicação clínica. Quando necessário, identifica precocemente qualquer risco e aciona o médico, garantindo uma assistência segura e acolhedora para a gestante e o bebê”, diz.
Apesar dos avanços, desafios ainda persistem. “Há falta de estrutura adequada nos serviços, resistência por parte de equipes médicas, da gestão e até mesmo de alguns profissionais de enfermagem. Somam-se a isso as limitações institucionais à autonomia, a sobrecarga de trabalho e a necessidade de maior reconhecimento profissional e segurança jurídica”, pontua Murilo.
A experiência prática destaca o impacto da humanização. “Certa vez, durante um plantão, recebi uma gestante primigesta bastante abalada psicologicamente. Ela dizia que desejava ter um parto normal, mas estava confusa e com medo. Iniciei então uma conversa acolhedora com ela e seu acompanhante, transmitindo tranquilidade e explicando técnicas e posições que poderiam ajudar. Preparamos a sala com musicoterapia, utilizamos chás tradicionais como chicória e canela, além de ventosaterapia e aromaterapia. Em cerca de três a quatro horas, ela evoluiu para um parto normal sem complicações. O períneo permaneceu íntegro e o bebê nasceu bem, recebendo todos os cuidados necessários. Após o parto, ela agradeceu pelo acolhimento e pela tranquilidade proporcionada durante todo o processo”, finaliza Henrique.
