O mês que marca a mobilização internacional de enfrentamento ao câncer reacende o alerta para um dos principais fatores de risco evitáveis da doença: a obesidade. No Brasil, o crescimento acelerado do excesso de peso tem ampliado a incidência de cânceres associados a alterações metabólicas e inflamatórias provocadas pelo acúmulo de gordura corporal.
Além disso, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) indicam que cerca de 40% dos casos de câncer no mundo poderiam ser evitados. Isso ocorreria com a redução de fatores de risco conhecidos, como tabagismo, consumo de álcool, infecções, poluição do ar, exposição excessiva ao sol e excesso de peso.
Obesidade como fator de risco evitável para o câncer
Nesse contexto, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que a obesidade está diretamente associada ao desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer. Entre eles estão os tumores de estômago (cárdia), esôfago (adenocarcinoma) e fígado. Também aparecem cânceres de pâncreas, vesícula biliar, rins e intestino, incluindo cólon e reto.
Além disso, o excesso de peso está relacionado aos cânceres de mama em mulheres após a menopausa, endométrio, ovário, tireoide, meningioma e mieloma múltiplo. Há ainda evidências de associação com câncer de próstata em estágio avançado e câncer de mama em homens.
Estimativas baseadas em dados da OMS indicam que cerca de 13 a cada 100 casos de câncer no Brasil podem ser atribuídos ao excesso de peso corporal.
Especialistas alertam para impacto metabólico da obesidade
Para a médica nutróloga Andrea Pereira, cofundadora da ONG Obesidade Brasil, os números reforçam a urgência de tratar a obesidade como uma prioridade de saúde pública. Segundo ela, o excesso de peso provoca alterações metabólicas e inflamatórias. Essas mudanças aumentam o risco de diversas doenças, inclusive o câncer.
“A prevenção passa pelo cuidado com a alimentação, pelo controle do peso corporal e pelo acompanhamento médico contínuo”, destaca.
Abordagem da obesidade deve evitar estigmas
Por outro lado, o cirurgião bariátrico Carlos Schiavon, presidente da entidade, pontua que a população precisa ter acesso a informação. Para ele, a discussão deve ir além da responsabilização individual.
“Estamos falando de políticas públicas, acesso ao tratamento e de uma abordagem multidisciplinar da obesidade. Dessa forma, é possível oferecer suporte para escolhas mais saudáveis ao longo da vida”, afirma.
Crescimento da obesidade no Brasil preocupa sistema de saúde
Enquanto isso, o avanço da obesidade no país segue em ritmo acelerado. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o percentual de brasileiros com obesidade mais do que dobrou entre 2006 e 2024. O índice passou de 11,8% para 25,7%.
No mesmo período, o número de adultos com excesso de peso também cresceu. Em 2006, 42,6% da população adulta estava nessa condição. Em 2024, o percentual chegou a 62,6%.
Diante desse cenário, especialistas alertam que, sem ações estruturadas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado, o impacto sobre o sistema de saúde e sobre a incidência de câncer tende a crescer nos próximos anos.
