Carnaval no inverno amazônico exige cuidado extra com a saúde

Matheus Freire
No inverno amazônico, cuidados com a saúde ajudam a garantir um Carnaval mais seguro e divertido - Foto: Divulgação/Prefeitura de Belém

Na Amazônia, além do som dos blocos e da animação nas ruas, o Carnaval acontece em pleno inverno amazônico. Nesse período, marcado por chuvas intensas, alagamentos e maior circulação de vírus e bactérias, os cuidados com a saúde precisam ser reforçados. Em meio à música, à paquera e às grandes aglomerações, informação e prevenção fazem toda a diferença.

Nesse contexto, aumentam os riscos de doenças respiratórias, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e problemas associados ao contato com água contaminada. Ainda assim, não é preciso guardar o abadá no armário. Com medidas simples, é possível atravessar os dias de folia com mais segurança, bem-estar e responsabilidade.

Chuvas e alagamentos elevam o risco de doenças

Segundo Julius Monteiro, infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Ebserh, o período chuvoso exige atenção especial. “Durante o inverno amazônico, aumentam os alagamentos e a formação de poças de água, o que eleva o risco de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose, além de parasitoses intestinais”, alerta.

Dessa forma, a principal recomendação é evitar o contato com água de enchentes, lama ou áreas alagadas, especialmente quando há ferimentos na pele. “Essas infecções nem sempre se manifestam imediatamente e podem surgir dias ou semanas após a exposição”, explica o especialista.

Vírus respiratórios também circulam na folia

Além disso, as chuvas frequentes somadas às aglomerações típicas do Carnaval favorecem a transmissão de vírus respiratórios, como influenza e covid-19. “O contato próximo entre as pessoas aumenta o risco, sobretudo em ambientes fechados ou muito cheios”, observa Monteiro.

Por isso, manter a vacinação em dia continua sendo uma das principais formas de proteção. A vacina contra a covid-19 deve ser atualizada anualmente, enquanto a imunização contra a gripe é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme calendários e públicos específicos. “Manter o esquema vacinal atualizado protege o indivíduo e ajuda a reduzir a circulação desses vírus na sociedade”, reforça.

Prevenção de ISTs vai além do Carnaval

Ao mesmo tempo, as infecções sexualmente transmissíveis ganham destaque durante o Carnaval, período marcado por maior número de encontros ocasionais. Ainda assim, o cuidado com a saúde sexual não deve se restringir à festa. “A prevenção precisa fazer parte da rotina ao longo de todo o ano”, pontua o infectologista.

O Ministério da Saúde recomenda a chamada prevenção combinada, que reúne diferentes estratégias, como o uso de preservativos, a vacinação, a testagem regular e, em situações específicas, o uso de medicamentos preventivos, como a PrEP e a PEP. “Conhecer a própria condição de saúde permite iniciar o tratamento precocemente, reduzir complicações e interromper a transmissão”, explica Monteiro.

PrEP e PEP ampliam a proteção

A PrEP (profilaxia pré-exposição) é uma estratégia eficaz na prevenção do HIV e integra a política de prevenção combinada do Ministério da Saúde. Disponível no SUS, o protocolo pode ser utilizado por pessoas a partir de 15 anos, com vida sexual ativa, como método adicional de proteção.

Já a PEP (profilaxia pós-exposição) é indicada para situações de risco recente e deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras horas após a exposição. “Quem utiliza essas estratégias passa a ter acompanhamento regular no sistema de saúde, com acesso à testagem, orientação profissional, preservativos, lubrificantes e vacinação”, destaca o especialista.

Mitos e verdades ajudam a reduzir riscos

Por outro lado, o Carnaval também costuma vir acompanhado de informações equivocadas sobre saúde. Saber diferenciar mitos e verdades é essencial para reduzir riscos e curtir a folia de forma mais consciente.

Beijo pode transmitir doenças? Verdade.
O beijo envolve troca de saliva e pode transmitir vírus e bactérias, como vírus respiratórios e o vírus Epstein-Barr.

Usar preservativo elimina todo risco? Mito.
O preservativo reduz significativamente o risco, mas não impede totalmente a transmissão de infecções como o HPV.

Sexo oral transmite IST? Verdade.
HPV, sífilis, gonorreia e clamídia podem ser transmitidas, especialmente sem proteção.

Compartilhar copos, cigarros ou bebidas é seguro? Mito.
Essa prática pode facilitar a transmissão de vírus respiratórios.

Vacinas ajudam a prevenir ISTs? Verdade.
O SUS oferece vacinas contra hepatite A, hepatite B e HPV.

Só quem tem muitos parceiros precisa se preocupar? Mito.
Qualquer pessoa sexualmente ativa pode adquirir uma IST.

Se não há sintomas, não há infecção? Mito.
Muitas ISTs permanecem assintomáticas por longos períodos.

É possível curtir a folia com segurança

Por fim, aproveitar o Carnaval no inverno amazônico com responsabilidade é totalmente possível. Informação, escolhas conscientes e cuidados simples fazem diferença para reduzir problemas e garantir uma folia mais tranquila, segura e saudável.

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