Em meio a floresta amazônica, mais precisamente no rio Xingu, no Pará, duas antas foram flagradas nadando no reservatório intermediário da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Equipes de monitoramento ambiental registraram o flagrante raro na área de influência do empreendimento e evidencia o uso ativo do reservatório por uma espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas florestais.
Área protegida garante abrigo e conectividade para a fauna
As antas vivem na Área de Preservação Permanente (APP) que circunda a usina. Esse ambiente protegido mantém a vegetação nativa e assegura abrigo, alimento e corredores ecológicos essenciais para a fauna local. Por isso, pesquisadores consideram a anta um importante indicador da qualidade ambiental.
A anta é o maior mamífero terrestre da América do Sul e pode atingir até 300 quilos. Possui corpo robusto, focinho alongado e pelagem escura. Das quatro espécies reconhecidas no mundo, apenas a anta-brasileira ocorre no Brasil, geralmente associada a florestas úmidas e áreas próximas a cursos d’água.
Espécie enfrenta ameaças constantes
De hábitos solitários, a anta raramente é observada em pares. Quando isso acontece, normalmente trata-se de mãe e filhote ou de um casal reprodutivo. Órgãos ambientais classificam a espécie como vulnerável à extinção, a anta apresenta reprodução lenta e enfrenta risco de extinção: a gestação dura entre 12 e 13 meses e resulta, em geral, no nascimento de apenas um filhote, que permanece com a mãe por até um ano e meio.
Além disso, a anta enfrenta ameaças constantes, como a caça ilegal, os atropelamentos em rodovias e a perda de habitat causada pelo desmatamento. A redução da população compromete a regeneração das florestas. A anta dispersa sementes por longas distâncias.
Monitoramento registra alta diversidade no Xingu
O flagrante integra registros reunidos ao longo de 14 anos de monitoramento ambiental. Câmeras de monitoramento já identificaram mais de 800 espécies da fauna na região. O monitoramento já registrou espécies como onça-pintada, gato-mourisco, jaguatirica e macaco-aranha.
A Área de Preservação Permanente da Usina Hidrelétrica Belo Monte soma cerca de 26 mil hectares e contribui diretamente para a conservação da biodiversidade, mantendo ambientes naturais contínuos e favorecendo a circulação das espécies.
“Esse tipo de registro é resultado de um trabalho contínuo de manutenção da floresta em pé e do monitoramento ambiental. Além das ações de restauração florestal, acompanhamos a fauna ao longo dos anos, o que permite avaliar a qualidade ambiental das áreas protegidas e contribuir para a conservação da biodiversidade no Xingu”, afirma Roberto Silva, gerente de Meios Físicos e Bióticos da Norte Energia.
Por isso, o monitoramento ambiental integra o licenciamento de Belo Monte, e amplia o conhecimento sobre as espécies que habitam a região do Xingu, fortalecendo as ações de conservação da biodiversidade amazônica.
