O filme Nova Terra entra em fase final de produção e reafirma o Sertão Central do Ceará como território de memória, ancestralidade e resistência. Dirigido pelo cineasta Fram Paulo, o longa-metragem foi contemplado pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Assim, o recurso viabilizou a finalização do projeto por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, o que viabilizou sua etapa de finalização.
Segundo o diretor, o projeto já estava completamente gravado. No entanto, faltavam recursos para concluir o processo. “O filme já estava gravado. Com a PNAB, agora estamos finalizando”, explica Fram Paulo.
Um retiro artístico no sertão
Com 70 minutos de duração, Nova Terra é um longa de ficção que acompanha sete jovens artistas de teatro. Marcados por conflitos e perdas, eles decidem se isolar no sertão para montar uma peça teatral. Assim, o retiro artístico se transforma em um processo de reconstrução coletiva.
Durante esse período, o grupo passa a vivenciar o sertão não apenas como cenário. Pelo contrário, o território assume papel central na narrativa.
Memória ancestral e povos originários
Ao longo da história, os personagens seguem a trilha sagrada dos povos da Mata Branca. Esses povos originários habitaram o Sertão Central e deixaram registros em forma de pinturas rupestres. “O filme é uma homenagem ao teatro, mas, sobretudo, ao sertão e aos povos que viveram ali antes de nós”, afirma o cineasta.
Locações e patrimônio arqueológico
As filmagens ocorreram em Senador Pompeu, Quixeramobim. Além disso, os locais integram o Geoparque Sertão Monumental. Entre os cenários está a Pedra do Letreiro, que reúne mais de 800 inscrições rupestres. Esses símbolos se conectam a outros sítios arqueológicos do Nordeste, como São Raimundo Nonato e regiões da Paraíba.
Lendas, encantamento e resistência
Além da história factual, o filme dialoga com lendas do Sertão Central. Nesse sentido, a narrativa destaca a Serra do Encantado, em Quixeramobim. Segundo a tradição oral, povos originários teriam seguido até a serra após confrontos com colonizadores. “Para os povos originários, ninguém morre, a gente se encanta”, destaca Fram Paulo.
Água, sementes e futuro
Outro eixo central do filme Nova Terra é a relação com a água e as sementes crioulas. Esses elementos surgem como metáforas da vida e da continuidade no Semiárido. “Se a gente perde a semente, perde o futuro”, reflete o diretor.
Produção local e lançamento
Produzido pela Uzina Filmes, o longa foi gravado ao longo de cerca de três meses, principalmente aos fins de semana. A produção foi realizada com baixo orçamento. Ainda assim, o elenco é majoritariamente local, o que reforça o compromisso com o território.
A estreia está prevista para o segundo semestre deste ano. Inicialmente, haverá exibições em Senador Pompeu e Quixeramobim, antes da circulação por outros espaços culturais.
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